MP ouve explicações da Santa Casa
O superintendente da Santa Casa de Londrina, Fahd Haddad, disse ontem que a maternidade do hospital não será fechada. Segundo Haddad, o hospital estaria adequando o serviço ao Programa Nacional de Humanização do Pré-Parto e Nascimento, instituído pelo Ministério da Saúde. O programa exige que maternidades funcionem em conjunto com uma Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIneonatal). Por isso a Santa Casa estaria estudando a transferência do serviço para o Hospital Infantil (HI), que possui essa unidade. O hospital quer se tornar referência em atendimento a gestação de alto risco. A instalação de uma UTI no prédio da Santa Casa, para Haddad, seria mais caro que a construção de uma maternidade anexa ao prédio do HI.
A explicação foi dada durante uma reunião convocada pelo promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, realizada ontem no Fórum de Londrina. Participaram do encontro o secretário de Saúde Sílvio Fernandes, diretores dos hospitais Universitário e Evangélico, representantes da Associação Médica, Conselho Regional de Medicina, Conselho Municipal de Saúde, obstetras e pediatras da Santa Casa e lideranças comunitárias de Londrina e Cambé.
Após a reunião, ficou acertado que a Santa Casa terá 60 dias para concluir as avaliações internas necessárias para a reabertura da maternidade e apresentar o número de leitos que serão disponibilizados para o Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse período, o hospital terá que definir também se a maternidade continuará no prédio da Santa Casa ou será transferida para o Hospital Infantil (HI).
A maternidade da Santa Casa de Londrina está fechada para reformas desde novembro do ano passado. Mas a polêmica sobre o fechamento da unidade foi criado no início do mês, quando um grupo de 26 médicos ligados ao serviço de ginecologia e obstetrícia do hospital iniciou um movimento pela manutenção do setor e acionou o Ministério Público (MP) para impedir sua desativação. A medida teria sido anunciada no dia 15 de agosto, pelo diretor técnico da Irmandade da Santa Casa de Londrina (Iscalá), Sérgio Canavezi, numa reunião da instituição, que é a entidade filantrópica mantenedora do hospital.
Canavezi teria dito que ''por falta de interesse da administração, a maternidade da Santa Casa seria fechada'', posição diferente da comunicada quando foi feito o anúncio da reforma (cujo valor total é de R$ 811 mil), em setembro do ano passado.
O secretário de Saúde, Sílvio Fernandes, reafirmou a importância da reabertura da maternidade. A Santa Casa, como informou, possui seis leitos credenciados pelo SUS para esse atendimento, mas ele não quis se posicionar sobre o número de leitos que poderiam ser ofertados pelo hospital.
Quanto ao local de funcionamento da maternidade a posição do município, de acordo com o secretário, é pela transferência para o Hospital Infantil, pois a demanda do município são os leitos de cuidados intermediários e intensivos. Fernandes disse que a Maternidade Municipal consegue atender a demanda por leitos para gestação de baixo risco. O hospital teria estrutura para atender até 650 partos por mês, mas até agora o número de atendimentos é de cerca de 500 partos.
A diretora de Planejamento da Secretaria, Rosângela Libanori, disse que Londrina possui uma ''demanda macrorregional'' de 30 leitos para cuidados intermediários ou semi-intensivos. Há no município hoje, apenas 10 leitos ofertados pelo Hospital Universitário. Segundo a diretora de planejamento, só no HU deveriam ser ofertadas 28 vagas, pois para cada leito de UTI são necessários quatro para cuidados intermediários. O município pretende ainda implantar, até o final do ano, seis leitos semi-intensivos na Maternidade Municipal.





