MP oferece denúncia contra Leonyl
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quarta-feira, 13 de novembro de 2002
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, poderá responder processo por tráfico de influência, previsto no artigo 332 do Código Penal. Ele é acusado pelo Ministério Público (MP) de Rio Negro (109 quilômetros a sudoeste de Curitiba) de favorecer a atuação da quadrilha de roubos de cargas supostamente chefiada pelo empresário Mário do Amaral Fogassa.
O MP ofereceu denúncia no início desta semana contra Ribeiro. O delegado já havia sido citado na ação do MP, que indiciou, no final de setembro, 26 pessoas que fariam parte ou teriam envolvimento com a quadrilha de Fogassa. ''Resolvemos aguardar para juntar provas'', afirmou a promotora Maria Angela Camargo Kiszka, que assina a denúncia junto com a promotora Marla de Freitas Blanchet.
O testemunho dos delegados Armando Marques Garcia e Margareth Mattos, titular e adjunta da Delegacia de Estelionato e Desvio de Carga, de Curitiba, foi o que embasou a denúncia contra Leonyl Ribeiro. Os dois estão entre os 15 acusados presos até agora. Segundo Maria Angela, ambos disseram em depoimento que receberam solicitação do delegado-geral para que ''deixassem de dar o regular andamento aos inquéritos policiais nº 93/02 e nº 161/02, instaurados contra Mário do Amaral Fogassa, por receptação e roubo de cargas''.
Segundo a denúncia, o comerciante Fernandez da Cruz, de São José dos Pinhais, preso por envolvimento com o roubo e receptação de cargas, também acusou Ribeiro de usar o cargo para facilitar a atuação da quadrilha.
Assim que for notificado, Leonyl Ribeiro, como é funcionário público, terá prazo de 15 dias para apresentar defesa. Só depois desses procedimentos é que o juízo da Comarca de Rio Negro decidirá se acata ou não a denúncia.
A promotora informou que há outro procedimento investigatório em andamento, envolvendo o secretário de Estado da Segurança Pública, José Tavares, e o deputado estadual Carlos Simões. Quando for concluído, o processo será encaminhado à Procuradoria Geral da Justiça, já que os dois têm foro privilegiado, conforme prevê a Constituição Estadual, pelo cargo que ocupam.
A Corregedoria da Polícia Civil já instaurou procedimento administrativo para apurar a veracidade das provas que incriminam o delegado-geral. O diretor do Instituto de Identificação, delegado Paulo Ernesto Araújo Cunha, é quem está presidindo o procedimento.


