A promotoria comandada por Paulo Tavares é responsável exclusivamente por casos de pacientes do SUS. As questões que envolvem clientes particulares ou de planos de saúde são encampadas pela Promotoria de Defesa do Consumidor. O escritório do promotor, no entanto, não é a porta de entrada para quem inicia a luta pelo fornecimento de medicamento de alto custo. Pelo contrário. Os casos devem chegar ao MP apenas quando as alternativas administrativas forem esgotadas.
  A porta de entrada do SUS são as unidades básicas de saúde. Hoje, Londrina conta com 52 postos, espalhados por todas as regiões da cidade. Os casos atendidos pela promotoria, portanto, têm obrigatoriamente de ser encaminhados por profissionais do sistema público.
  Após o promotor estar convencido da necessidade do medicamento de alto custo, o próximo passo é encaminhar uma solicitação ao poder público pela via administrativa. Em caso de negativa, a promotoria ingressa na Justiça com uma ação civil pública ou mandado de segurança. O problema então passa a ser judicializado. É exatamente isso que a promotoria pretende evitar.
  O promotor alega que o cuidado com a liberação de medicamentos de alto custo justifica-se porque a conta é paga com dinheiro público. ‘‘Na nossa casa, sempre tentamos soluções mais baratas para depois optar pela mais onerosa. O brasileiro acredita que a coisa pública não pertence a ele. Mas é. O SUS é nosso. O SUS é um patrimônio nacional. Por isso é gratuito e universal’’, ressalta.
  Tavares ressalta a importância de trabalhar com situações coletivas. ‘‘É mais fácil obter resultados e envolver e beneficiar muito mais pessoas’’, ressalta. Para isso a organização popular é fundamental. E assim o Ministério Público pode cumprir sua função que é atuar para garantir a saúde dos indíviduos e a viabilidade do sistema. ‘‘Essa é muitas vezes a diferença do advogado para o Ministério Público. Com todo respeito, mas o procurador do Estado vai defender só o interesse do Estado. O advogado vai resolver só o interesse do usuário. Todos os lados são respeitáveis. Só que eu tento conciliar o interesse do SUS com o do usuário’’, conclui. (F.R.F.)

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