MP investiga surto de toxoplasmose
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sábado, 22 de junho de 2002
Marta Medeiros<BR>Equipe da Folha 
Maringá O Ministério Público de Santa Isabel do Ivaí (92 km de Paranavaí) abriu um inquérito para investigar a responsabilidade criminal no surto de toxoplasmose que atinge o município desde dezembro do ano passado. No procedimento, a promotoria está ouvindo autoridades ligadas à área da saúde pública, vítimas da doença e os médicos. Objetivo é tentar constatar se houve ou não culpa dos responsáveis pelo abastecimento de água do município. Laudo oficial do Ministério Público comprovou que a fonte de contaminação da toxoplasmose foi o reservatório de água da cidade onde vivia uma ninhada de gatos infectados com o protozoário causador da doença.
Segundo a promotora Cleonice Aparecida Mariano Quinteiro, o MP está acompanhando no mesmo procedimento investigatório o projeto para construção do novo sistema de abastecimento de água na cidade. O reservatório atual continua servindo a população. A promotora acredita que o inquérito será concluído nos próximos dias. No final, o MP poderá pedir o arquivamento ou oferecer a denúncia criminal contra os envolvidos no caso.
O surto considerado o maior registrado no mundo transtornou a cidade com cerca de nove mil habitantes. Mais de 450 pessoas foram atingidas pela doença. Uma mulher sofreu aborto e três gestantes estão com exames positivos de toxoplasmose. Seis bebês nasceram infectados com o protozoário. Um deles está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Londrina há mais de 50 dias. Outros três bebês apresentam sequelas graves nos olhos.
A toxoplasmose tem como uma das principais consequências a lesão nos olhos. Especialistas da Escola Paulista de Medicina constataram que 15% dos infectados apresentam algum tipo de sequela. Se a pessoa não for submetida ao tratamento à base de sulfa, pode ficar cega.
Os moradores reclamam do atendimento no sistema público de saúde. Desde o início do surto, a população convive com o medo, angústia e revolta. As pessoas se sentem desprotegidas e reclamam da falta de informação sobre a doença e de programas específicos para o atendimento dos casos mais graves. Um grupo se organiza na tentativa de formar uma associação das vítimas da toxoplasmose de Santa Isabel do Ivaí.


