MP investiga suposto uso ilegal de viatura
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segunda-feira, 01 de março de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O Ministério Público (MP) do Paraná investiga o suposto uso irregular de viatura descaracterizada do Instituto Médico-Legal (IML) no litoral catarinense. A denúncia foi formalizada pelo médico-legista Nelson Luiz Gubert, que teria flagrado o chefe da divisão técnica do Interior, Alexandre Gebran, em Balneário Camboriú (SC), com a viatura policial.
O encontro entre os dois terminou em troca de agressões verbais e físicas. Segundo o delegado-regional de Balneário Camboriú, Maurício Eskudlark, foi lavrado um termo circunstanciado por causa da briga.
No depoimento ao MP, Gubert contou que viu, no dia 1º de janeiro, Gebran dirigindo a viatura oficial Renault Scênic, placas AGN 1375, por volta das 16 horas. Segundo ele, estariam dentro do carro duas crianças e um senhor de idade. No dia seguinte, ele estaria andando pela calçada quando teria visto o mesmo veículo e abordado Gebran, que dirigia a viatura. Os dois teriam discutido. ''Eles começaram com ofensas pessoais e terminaram com tapas e socos. Precisou um transeunte interferir na briga'', relatou o delegado.
O mesmo carro teria sido flagrado por Gubert no dia 17 de janeiro, às 18 horas, dentro da garagem de um prédio, onde a irmã de Gebran tem um apartamento. No termo circunstanciado consta ainda a passagem do veículo oficial pelo estacionamento do Shopping Atlântico, por volta das 21h30. ''O que comprova que o carro realmente esteve lá'', disse o delegado.
Gebran também prestou esclarecimentos na delegacia. Segundo o delegado, ele relatou que esteve de férias entre os dias 19 de dezembro e dois de janeiro em Balneário Camboriú. ''Mas negou que estivesse com um carro oficial. Disse que estava com o carro do sogro, um Monza'', salientou Eskudkark. Gebran admitiu, entretanto, que discutiu com o legista.
Cópias dos depoimentos foram encaminhadas para a Promotoria do Patrimônio Públilco, órgão ligado ao Ministério Público, que já abriu um procedimento investigatório para apurar o caso. O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, relatou que recebeu a denúncia formalmente e determinou a abertura de um processo administrativo disciplinar. ''O uso de viatura para fins particulares é completamente irregular. Vamos apurar se a denúncia é verdadeira'', afirmou.
O termo circunstanciado também foi encaminhado para a Secretaria de Estado de Segurança Pública que encaminhou a denúncia para que a Corregedoria de Polícia Civil investigue os fatos. ''As investigações serão realizadas e se houver culpado, será punido'', adiantou o secretário Luiz Fernando Delazari, através da assessoria de imprensa.
Procurado pela Folha, Nelson Luiz Gubert se recusou a falar sobre o assunto. ''Tudo o que tinha a dizer está nos autos'', disse, bastante irritado.


