São Paulo - Os pães integrais roubaram a maior parte do espaço do tradicional pão branco nas prateleiras dos supermercados, recheadas de embalagens com carimbos como ‘‘100% integral’’ ou ‘‘com farinha integral’’. No entanto, no Brasil não há legislação que garanta que pães, bolos, biscoitos e outros desses produtos contenham porcentuais expressivos de grãos integrais que realmente possam fazer diferença para a saúde.
  Diante da ausência de parâmetros para o setor, o Ministério Público abriu inquérito para investigar os porcentuais de ingredientes integrais nos pães industrializados. Quer um acordo com as empresas para que divulguem, no mínimo, a quantidade de grãos integrais adicionada ao produto.
  ‘‘Até 2005, o governo permitia que pães levassem a marca de integrais, mesmo que tivessem uma pequena quantidade de farelo. A resolução foi revogada e hoje não há norma, mas as empresas mantiveram os produtos com as mesmas mensagens’’, afirma o promotor Pedro Rubim Borges Fortes, da Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Rio de Janeiro. Nos EUA, por exemplo, o produto precisa ter pelo menos 51% de grãos inteiros para poder se autodenominar integral.
  A promotoria iniciou a investigação após receber denúncias de consumidores. Caso não haja acordo, empresas serão processadas por propaganda enganosa - infração prevista no Código de Defesa do Consumidor - e estarão sujeitas a multa caso a Justiça acolha a ação da promotoria.
Anvisa
  A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que deixou de regulamentar produtos integrais porque não existia risco sanitário em consumir um pão que não é verdadeiramente integral. Segundo a assessoria de imprensa da agência, ‘‘caso o desejo do consumidor seja o consumo de um produto com apelo mais natural, convém checar a lista de ingredientes para identificar quais os ingredientes utilizados são integrais; por exemplo, se há mistura de farinhas ou cereais não integrais’’.

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