MP investiga morte de Cleonice
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) do Paraná vai investigar a morte da auxiliar de serviços gerais Cleonice Ferreira Gouveia, 29 anos, que caiu de um ônibus em movimento e foi atropelada pelo próprio veículo. O acidente aconteceu na última quarta-feira, por volta das 7 horas da manhã. O corpo dela foi sepultado ontem, no cemitério Jardim Independência, em Araucária, na região metropolitana.
Ontem, a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor abriu um inquérito para investigar as circunstâncias da morte de Cleonice.
Segundo o MP, o objetivo dos promotores é determinar se houve falha no sistema de segurança do veículo, o que poderia colocar em risco outros passageiros.
Cleonice estava num ônibus da linha Ligeirinho Araucária quando o acidente aconteceu. Segundo o técnico em segurança do trabalho, Mauro Medeiros, da Viação Araucária, que é responsável pelo ônibus envolvido no caso, técnicos do Instituto de Criminalística já estiveram na garagem da empresa realizando perícia no veículo. "Não vamos nos pronunciar sobre as causas do acidente antes que o laudo técnico esteja pronto", declarou.
A Urbanização de Curitiba (Urbs), que gerencia o sistema de transporte, informou em nota à imprensa que uma análise preliminar dos técnicos da instituição constataram a possibilidade de falha mecânica no dispositivo de segurança da porta. Para Medeiros,
não existe a possibilidade da porta ter aberto por descuido do motorista. "Existe um sistema que impede que isso aconteça mesmo que o botão de abertura das portas seja acionado", disse. Segundo ele, o motorista responsável pelo veículo envolvido no acidente tinha mais de 20 anos de experiência e não tinha histórico de acidentes. "Ele está muito abalado com a situação", contou. O motorista estaria recebendo acompanhamento psicológico.
Para o gestor de serviços de pós-venda da Sulbrave, Gerson Aurélio Martins, o sistema de segurança dos ônibus "não abre quando o carro está em movimento em hipótese nenhuma". A Sulbrave é representante da fabricante do veículo, a Marcopolo. "O sistema só permite que o veículo se movimente depois que a rampa é recolhida. E caso a rampa abra com o carro em movimento, automaticamente veículo é freado", explicou.
Segundo Martins, o ônibus, que foi fabricado em 2004, seguia todas as normas técnicas determinadas pela Urbs. "Todos os carros são vistoriados pela Urbs a cada seis meses. Se eles não estiverem adequados às normas são retirados de trânsito", disse.


