O Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Maringá (Noroeste), empresa responsável pela destinação do lixo hospitalar dos estabelecimentos de saúde da cidade, está sendo investigado por suspeita de despejo de material contaminado em aterro sanitário impróprio. A empresa deve prestar o mesmo serviço para os hospitais e clínicas de Londrina onde o prazo para adequação às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) vence em dois dias.
Com o fim do prazo, já prorrogado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) em mais de nove meses, estabelecimentos de saúde passam a ser os responsáveis pela destinação dos resíduos hospitalares que produzem serviço que, em Londrina, hoje é de responsabilidade da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
A proximidade da data-limite fez com que o Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde de Londrina e Região (Sinheslor), por meio do Instituto Nacional de Desenvolvimento da Saúde e Ecologia (Indese), negociasse com a CTR a prestação do serviço de destinação dos resíduos até que as unidades de saúde coloquem em funcionamento a empresa instituída por eles próprios.
Em Maringá, um dos hospitais atendidos pelo CTR - o Hospital Paraná, gerenciado por uma autarquia particular, de grande porte e apto a atendimento de alta complexidade - foi multado em R$ 74 mil no dia 16 de março pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), por deposição inadequada de resíduos contaminados em aterro sanitário impróprio e por falta de licenciamento para o serviço.
''Encontramos bolsas de sangue, seringas e mais uma série de materais embalados em sacos brancos, destinados ao lixo hospitalar, mas dentro de sacos pretos, usados para o lixo comum'', disse o chefe regional do IAP, Paulino Mexia.
O despejo também está sendo apurado pelo Ministério Público e Polícia Civil. Na esfera criminal, o inquérito corre sob responsabilidade da delegada do 2º Distrito, Elza da Silva. ''Vamos ouvir a direção do hospital para iniciar as investigações'', disse ela. IAP, MP e Polícia Civil de Maringá também informaram que vão intimar o CTR para esclarecimentos.
O CTR negocia com o Sinheslor e com o Indese um acordo provisório com validade de um ano. Pelo menos mais três empresas já haviam manifestado interesse pelo contrato em Londrina, que pode chegar a valores superiores a R$ 100 mil mensais. De acordo com informações da CMTU, as unidades de saúde da cidade produzem cerca de duas toneladas de resíduos por mês.
A informação sobre o despejo em Maringá também chegou ao Ministério Público de Londrina, sob forma de denúncia anônima. A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentim, informou ainda que uma outra empresa interessada no contrato com os hospitais de Londrina trouxe a denúncia sobre o despejo irregular.
''Estamos acompanhando as negociações de perto e, até agora, não há comprovação de que houve irregularidades em Maringá. Se isso vier a acontecer aqui, tanto a empresa quanto a geradora do resíduo serão autuadas'', avisou.

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