Lucilia Okamura
De Londrina
O Ministério Público de Londrina irá solicitar à Polícia Civil instauração de inquérito para investigar a Life Sul Representações. A empresa é acusada de induzir candidatos a vender planos de saúde para garantir emprego. O MP recebeu, anteontem, reclamação de duas pessoas que se sentiram lesadas. A coordenadora da empresa, Genessi Rodrigues da Silva, está envolvida em denúncia semelhante, ocorrida em 96.
As duas pessoas, que pediram à Folha para não serem identificadas, contaram que foram atraídas por anúncios. Na empresa, elas teriam sido informadas que se fossem contratados receberiam salário de R$ 360,00, 10% de comissão sobre as vendas, tíquete-refeição e vale-transporte.
Segundo uma das pessoas, os representantes da empresa disseram que a contratação dependia de atingirem uma meta de 50 pontos (uma das exigências era a venda de planos a R$ 100,00). Apesar de, oficialmente, serem informados da proibição de efetuar vendas para parentes ou amigos, os candidatos eram induzidos a isso. ‘‘Falaram que, por debaixo dos panos, eu podia vender para um parente porque se fosse contratada, em um mês eu cobriria este gasto’’, contou.
Os candidatos disseram que efetuaram uma venda, se submeteram a um outro teste e foram reprovados. Mesmo assim, tiveram outra chance. ‘‘Disseram que iam abrir uma exceção para mim e, para isso, era para eu vender mais dois planos de saúde’’, contou. Desconfiados, eles desistiram e, anteontem, procuraram a Promotoria de Defesa do Consumidor. O promotor Bruno Galatti disse que se trata de um provável caso de estelionato.
O gerente em exercício da Life Sul, Celso Adriano, negou as acusações. ‘‘Eles se sentiram lesados e se acham no direito de argumentar algo’’. Ele confirmou que os candidatos se submetem a um teste (vendas externas) que dura 30 dias. Mas ressaltou que, desde o início, avisa sobre a proibição de oferecer planos para parentes.
A Life Sul, segundo Adriano, está em Londrina há um ano e a coordenadora da empresa é Genessi Rodrigues da Silva, que estaria viajando. Questionado sobre o fato dela já ter sido envolvida em denúncia semelhante, ele disse desconhecer o fato. ‘‘Ela é uma pessoa muito idônea’’.
Em junho de 96, a Folha publicou uma matéria sobre a empresa Regencer Representações Comerciais, que estava sendo investigada pelo Ministério Público por denúncias de estelionato. Na época, o promotor Sérgio Siqueira disse que os responsáveis da empresa eram Genessi Rodrigues da Silva e Reginaldo Pereira Barroso. Ele ouviu cerca de 30 pessoas que teriam sido vítimas da empresa.

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