O Ministério Público está investigando denúncia sobre a falsificação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para a construção de uma usina hidrelétrica no Rio Tibagi em Jataizinho (Norte do Paraná). A ação foi proposta por um grupo de biólogos que trabalhou na produção do relatório concluído no início de 1997. Eles alegam que o coordenador do trabalho, Manoel José Domingues, adulterou o trabalho com o objetivo de facilitar a aprovação da obra, através da redução dos investimentos em programas de preservação ambiental.
Segundo os técnicos, se esse projeto fosse aprovado como está, uma série de danos ambientais poderiam ocorrer, como a extinção de diversas espécies de animais, plantas e peixes na região. ‘‘O que chama a atenção é que Domingues não se limitou a omitir impactos negativos, mas cortou também a maioria das medidas sugeridas pela equipe técnica para amenizar esses efeitos’’, disse o biólogo Euclides Grando Júnior, um dos denunciantes.
Outro ponto que preocupa o grupo é a qualidade da água captada pela Sanepar para abastecer a cidade de Londrina, que vem daquela região e perderia muito em qualidade quando fosse formado o lago da hidrelétrica, se não fossem tomados alguns cuidados, ‘‘que foram retirados dos nossos relatórios’’, disse Grando Junior.
A movimentação dos técnicos começou quando os biólogos Marcos Bornschein, Bianca Reinert, Euclides Grando Junior e Gislaine Grando discordaram da forma como foi feita a redação final do projeto e se negaram a assinar o trabalho. Mesmo assim, o relatório foi enviado pela empresa responsável pela redação final, a Juris Ambientis, para análise no Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O documento acabou sendo rejeitado por não conter a assinatura dos dois técnicos.
Ontem, Domingues negou que ele ou a empresa Juris Ambientis Assessoria Jurídica, de sua propriedade, tenha cometido qualquer irregularidade, tendo realizado apenas o trabalho de coordenação do projeto. ‘‘Se alguns trechos foram eliminados, foi porque não eram possíveis de ser realizados’’, disse. Domingues diz que a visão dos técnicos não corresponde ao trabalho multidisciplinar proposto por ele, que prefere uma visão global, ‘‘em que a redação final do trabalho não é um somatório de todas os trabalhos desenvolvidos, mas um relatório do que é viável de ser executado depois’’.
Domingues informou que não teme o processo que está correndo na Justiça, e que está amparado juridicamente. Segundo ele, o que está acontecendo é ‘‘a divulgação de uma meia-verdade’’. ‘‘Essas pessoas deveriam deixar de olhar para o próprio umbigo e pensar que quem vai decidir sobre a construção da usina é o IAP e a população da região’’.
A Copel foi a empresa que encomendou esse estudo sobre o impacto ambiental para a construção da hidrelétrica am Jataozinho. Segundo o coordenador de Impactos Ambientais da empresa, Antonio Fonseca, a empresa já estava ciente da discordância entre os organizadores do relatório, e optou por só reapresentar a proposta devolvida pelo IAP depois que todos os 24 técnicos envolvidos no projeto assinassem a proposta. Ele explicou que esse trabalho não chegou mem mesmo a ser analisado por não ter passado pela triagem do IAP.

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