MP investiga denúncia contra delegado-chefe
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de novembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá Especial para a Folha 
O Ministério Público abriu procedimento para investigar a denúncia feita pelo ex-delegado de Iguatemi (distrito de Maringá) contra o delegado-chefe da 9ª Subdivisão Policial de Maringá (9ª SDP), Maurício de Oliveira Camargo, por peculato dos recursos do Fundo Rotativo. A denúncia partiu do ex-agente de segurança Luiz Fernando de Oliveira, o Lula, que nos últimos quatro anos exerceu a função de delegado nomeado em Iguatemi.
Lula acusa o delegado-chefe de o ter demitido no dia 6 de novembro como queima de arquivo e de esconder o envolvimento de um policial civil de Curitiba com uma quadrilha que tentou assaltar um banco em Paranavaí.
A gestão das contas do distrito é de responsabilidade da Delegacia de Mandaguaçu, onde Camargo foi titular até assumir o comando da 9ª SDP em abril deste ano. O delegado-chefe foi ouvido anteontem pelo promotor José Aparecido Cruz, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e negou as acusações. Camargo disse à Folha que a denúncia é improcedente e não passa de um ato de vingança. Para o MP, o caso revela problemas internos e políticos da Polícia Civil de Maringá.
Segundo Lula, as duas viaturas de Iguatemi são abastecidas com doações da Prefeitura de Maringá, de um vereador que representa a comunidade e de uma usina local. Ele afirma que há dois anos não recebe recursos do Fundo Rotativo. Mas um posto de Mandaguaçu fornece notas e combustível para o abastecimento das viaturas de Iguatemi, diz o ex-delegado.
Lula contou ainda que há dois meses encaminhou para o Comando do Interior da Polícia Civil um ofício relatando a situação. Foi a partir daí que o Maurício passou a perseguir a minha exoneração, explica o ex-delegado.
Lula disse que o delegado-chefe aproveitou a prisão de dois homens suspeitos de tentarem assaltar um banco em Paranavaí. Na prisão em Iguatemi, Gelson Ferreira Souza e Valdecir Antunes Rosa, confessaram que recebiam ordens de um policial civil de Curitiba e que a quadrilha era composta também por Airton Souza, um informante de Lula na delegacia. Assim que prendi Gelson e Valdecir, o Airton fugiu porque sabia que iria sobrar para ele, contou Lula.
Conforme o ex-delegado, Airton é um ex-PM sem antecedentes criminais. A principal referência de Airton era o próprio delegado-chefe que quando trabalhava em Mandaguaçu almoçava quase todos os dias no restaurante de Airton, afirmou Lula. Segundo o ex-delegado, a confissão dos dois suspeitos ocorreu na presença de uma equipe da 9ª SDP.
O delegado-chefe da 9ª SDP disse à Folha que a Corregedoria de Polícia Civil investiga a participação do policial civil na quadrilha suspeita pela tentativa de assalto.


