O Ministério Público (MP) de Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina) está investigando o corte de 293 jambolões. As árvores estavam na beira da PR-90, entre Bela Vista do Paraíso e Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina) e foram cortadas em setembro com autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O MP questiona a liberação da licença argumentando que as árvores estavam na faixa de domínio do Departamento de Estradas e Rodagens (DER). Segundo o MP, um laudo do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), anexado ao processo, comprovou a sanidade das árvores.
As 292 árvores ocupavam um espaço de quase 2 quilômetros e tinham mais de 40 anos. Segundo o promotor Carlito Rupp, durante a construção da estrada, duas curvas foram retiradas do projeto para não promover o corte dos jambolões, cujos frutos, segundo o MP, são medicinais.
O proprietário da fazenda, Pedro Favoreto, afirma que o pedido para cortar as árvores partiu da Prefeitura de Alvorada do Sul por questões de segurança. Galhos grandes já haviam caído na estrada. Ele concordou em retirar desde que fosse providenciada uma licença. ''Por mim nem cortaria as árvores, elas seguravam o vento. Só fiz porque me pediram e deram autorização'', afirma.
O fiscal que concedeu a autorização e o chefe do IAP, Ney Paulo, devem ser ouvidos nos próximos dias pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina. O chefe do IAP não vê irregularidades no corte. ''O proprietário tem 20% de reserva de mata nativa. A Prefeitura também nos enviou um ofício solicitando o corte e as árvores são consideradas exóticas (não pertencem a mata nativa)'', comenta. Segundo ele, havia motivos de segurança para liberar a licença. O secretário de Obras e Meio Ambiente de Alvorada do Sul, José Carlos Santini, estava percorrendo estradas rurais ontem à tarde e não foi localizado pela Folha.

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