A promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Solange Vicentini, instaurou um procedimento administrativo, na manhã de ontem, para apurar os riscos de estender a contaminação do Córrego Cabrinha para o complexo de lagos que deve ser construído na região do Conjunto Violin, Zona Norte. A decisão da promotora foi tomada após uma reivindicação da Federação das Associações de Moradores e Demais Entidades Civis Organizadas de Londrina (Famecol).
O presidente da federação, Osvaldir de Oliveira, também entregou a Solange laudos realizados pelo Departamento de Microbiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que demonstram os níveis elevados de poluição no local. ''Não somos contra a construção do lago, mas tem que ter certeza que vai trazer somente benefícios à população'', salientou.
''Já há uma comissão que analisa os problemas de extravasamento de esgoto na região. Parece que não há rede coletora lá'', disse Solange. A comissão formada por representantes de diversos órgãos está monitorando toda a cidade e deve fornecer um relatório nos próximos dias.
''Agora vamos oficiar o IAP (Instituto Ambiental do Paraná, a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) e a Secretaria Municipal de Obras para que digam o que será feito para evitar a contaminação do lago'', afirmou a promotora.
Segundo o secretário de Obras de Londrina, Aloysio Crescentini de Freitas, a decisão da Famecol foi precipitada. ''Naquele local, antes tinha uma barragem que atendia a horta comunitária que nós fechamos para realizar a obra. Mas nós vamos limpar tudo antes de encher o lago'', explicou Freitas.
O secretário de Obras recorda que a contaminação do córrego pode estar ligada ao fato de que uma parte do bairro não possui rede de esgoto. ''Vamos monitorar quais são as pessoas responsáveis pelas ligações clandestinas no Cabrinha e corrigir isto'', garantiu Freitas.
O gerente geral da Sanepar em Londrina, Sérgio Bahls, garantiu que existe ''100% de ligações de rede de esgoto na área.'' ''O que causa a poluição é a falta de educação ambiental'', avaliou. Ele não descartou, no entanto, a possibilidade de existirem ligações clandestinas na região.
As obras no Cabrinha incluem a construção de um pista de caminhada, barragem e dois lagos, entre outros, e tem custo de R$ 777 mil. (Colaborou Fernando Rocha Faro)

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