A promotora da 5 Vara Criminal do Fórum de Londrina, Sandra Regina Koch, que atua no processo sobre o sequestro dos estudantes Thiago Lunardelli Fonseca e Celso Garla Filho, ambos de 18 anos, pediu, em suas considerações finais apresentadas à juíza Oneide Negrão, a absolvição do réu Celso Garla, 60 anos, pai de uma das vítimas. Garla, que é advogado, foi apontado pelo réu preso, o também advogado Décio Vanderlei Nogueira, 36 anos, de ter participação no crime. Em relação a outros cinco acusados no processo, a promotora opinou pela condenação.
Os dois estudantes foram sequestrados na manhã do dia 1º de julho deste ano, quando chegavam ao campus de uma universidade na Zona Sul de Londrina. Eles foram rendidos por dois homens armados e passaram por três cativeiros diferentes até serem liberados cinco dias depois. Não houve o pagamento do resgate de R$ 500 mil exigido pelos sequestradores.
Conforme o parecer da promotora, não existem provas no processo de que Garla ''tenha concorrido para a infração penal''. Por outro lado, Koch julgou procedente a acusação contra Nogueira, Lucinéia Ribeiro dos Santos, 24 anos, Luciano Ribeiro dos Santos, 21 anos, e Oreles Timph, 46 anos, pelo crime de ''extorsão mediante sequestro qualificado pela duração de mais de 24 horas e com sequestrado menor de idade (Garla Filho tinha 17 anos na data do crime)''. Ela também pediu à juíza a condenação de Nogueira, Luciano e Timph na acusação de ''roubo qualificado com emprego de arma de fogo e concurso de pessoas'', já que os sequestradores roubaram um telefone celular, um relógio, um óculos e as carteiras das vítimas. Os três aguardam presos o julgamento e Lucinéia responde às acusações em liberdade. O sexto acusado pela Justiça de ter participação no crime, Claudemir Sandoval, está foragido e, por isso, o processo contra ele foi desmembrado e corre em separado.
Em entrevista à Folha, Garla disse estar convicto de que a juíza acolherá o parecer do Ministério Público e declarou estar ''aliviado''. Ele reafirmou que ''jamais sequestraria o próprio filho ou qualquer outra pessoa'' e que toda a família sofreu muito com as suspeitas ''levianas e sem provas'' levantadas por Nogueira e que estuda ingressar com ação de injúria e difamação contra o advogado. ''Foi uma humilhação total'', comentou. Ele adiantou ainda que, se for absolvido, deverá ingressar com ação de indenização por danos morais contra o Estado. ''Minha imagem foi muito denegrida'', justificou. O defensor de Garla, André Luiz Salvador, observou que as considerações da promotora deverão ser aceitas pela juíza ''porque não há provas nos autos da participação'' de seu cliente. O delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, que indiciou Garla e chegou a pedir sua prisão preventiva, preferiu não comentar o posicionamento da promotora.
O parecer da promotora seguiu para a 5 Vara Criminal no dia 16 de dezembro. Agora, os advogados dos acusados terão de apresentar a defesa de seus clientes. Cumprida essa etapa, a juíza deverá proferir a sentença, o que poderá ocorrer na próxima semana.

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