Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual vai fazer uma auditoria nas contas da Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa, que na última sexta-feira paralisou o atendimento na maternidade alegando falta de recursos. Ssegundo informou o promotor Fuad Faraj, o objetivo da auditoria é descobrir para onde está indo o dinheiro que o hospital recebe todos os meses do governo do Estado e do governo federal. Para o Ministério Público, se a Santa Casa não tivesse dinheiro para atender a maternidade, também não teria recursos para realizar qualquer procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em outros setores.
Segundo o promotor Fuad Faraj, a Santa Casa não está sendo transparente em suas contas, principalmente no que diz respeito ao convênio firmando com o governo do Estado. ''Precisamos arrebentar a caixa preta que existe lá'', afirmou. Hoje o promotor deve pedir documentos ao Ministério da Saúde, ao Tribunal de Contas da União e do Estado, à Secretaria de Estado da Saúde e ao próprio hospital. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, a Santa Casa recebe recursos da ordem de R$ 100 mil mensais do Estado; de janeiro a julho desse ano recebeu cerca de R$ 3,1 milhões do Sistema Único de Saúde e em junho ganhou R$ 107 mil do Estado só para custear equipamentos de gestação de alto risco.
A Santa Casa paralisou o atendimento da maternidade na última sexta-feira com o argumento que não tem recursos para manter o setor, e que o hospital está trabalhando com prejuízo. O Ministério Público conseguiu uma liminar na Justiça e o atendimento voltou a acontecer no sábado. O advogado do hospital, Emerson Woyciechoski, afirmou que hoje deve entrar com recurso contra a liminar. A reportagem da Folha não conseguiu entrar em contato com Woyciechoski para saber a posição do hospital em relação à auditoria.

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