MP facilita contratação de adolescentes
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sábado, 23 de novembro de 2002
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A procuradora estadual do trabalho, Margareth Matos de Carvalho, estendeu até o dia 31 de dezembro o prazo para que as 1.100 empresas londrinenses contratem adolescentes para que se adequem à lei trabalhista, que determina que 5% a 15% do quadro de funcionários precisa ser composto por aprendizes entre 14 e 18 anos. Há dois meses, a procuradora havia ameaçado ajuizar ação pública contra estes empresários, pois julgava que a contratação de aprendizes seria o ideal para tirar 230 adolescentes do trabalho nas ruas como funcionários da Zona Azul.
O prazo inicial dado pela Procuradoria para que as empresas se adequassem à lei expirou no dia 30 de setembro. ''Independente do prazo que foi dado, o importante é que os empresários cumpram a lei o mais rápido possível. Muitos deles me procuraram nos últimos meses pedindo um tempo maior para se adequarem, o que foi concedido'', explica Margaret.
Ela afirma ''não ter idéia'' do número de empresários que a consultaram para reivindicar mais prazo. ''Foram muitos, e eles apareceram de forma dispersa, pessoalmente, por telefone, carta. Um lado positivo dessa dilatação do prazo é que todos os empresários notificados, mesmo os que não pediram mais tempo, terão uma nova oportunidade para regularizarem sua situação'', diz a procuradora.
A polêmica teve início há dois meses, quando Margaret declarou à imprensa que o trabalho de adolescentes na Zona Azul era ''perigoso e insalubre'' e que apenas jovens com mais de 18 anos deveriam ser autorizados a prestar o serviço. Padre Lídio Roman, diretor da Escola Profissional e Social do Menor em Londrina (Epesmel), entidade responsável por estes adolescentes, conta que vários empresários procuraram a Escola para contratar aprendizes, de forma a se adequarem à lei. ''Foram uns 50 empresários. Estamos mudando, alterando cursos, formação, para estarmos dentro da lei. Mas continuo achando que o trabalho na Zona Azul, dentro da realidade que vivemos, parece mais propício para adolescentes'', diz o diretor.


