MP exige a retirada de famílias sem-teto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de julho de 2001
Gilmar Agassi<BR>De Cascavel 
O Ministério Público de Cascavel enviou ofício para a administração municipal exigindo a retirada de seis famílias de sem-teto que moram em uma área de preservação ambiental às margens da BR-277. A promotoria alega que no local existem duas nascentes do Rio Cascavel que são utilizadas pelas famílias para tomar banho e lavar roupa. Segundo o promotor Angelo Mazzuche Santana Ferreira, as condições precárias de higiene podem causar uma contaminação da nascente, colocando em risco a saúde de outras pessoas.
O promotor argumenta que as famílias necessitam de melhores condições de vida, principalmente porque grande parte das 30 pessoas que moram no local são crianças. Ele acrescenta que a prefeitura precisa tomar uma atitude antes que ocorra uma contaminação irreversível. Esclarece, que se o município não retirar as famílias do local, poderá ser multada. As famílias deverão ser relocadas o mais rápido possível, com a prerrogativa do município ser autuado no caso de descumprimento, ameaça.
A Prefeitura de Cascavel disse que as seis famílias que estão na área de preservação serão encaixadas no primeiro lote de casas que estão sendo construídas para abrigar famílias sem-teto no Jardim Quebec. As primeiras 60 casas deverão ser entregues em 60 dias.
Entre as seis famílias que moram na área, está a de Valter Nunes, que diz estar desempregado há cinco anos, quando perdeu o emprego de servente de pedreiro. Ele diz ter recebido uma promessa de receber uma casa da prefeitura em no máximo 60 dias. Eu trabalho catando papel e ferro, mas se me derem uma casa, pelo menos pagar água e luz eu consigo, diz, reclamando que em dias de chuva seu barraco onde moram sete pessoas fica alagado.


