MP estuda ação contra moradores de fundos de vale
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segunda-feira, 20 de maio de 2002
Gilmar Agassi Equipe da Folha 
Cascavel - As famílias que residem em áreas de preservação ambiental em Cascavel e que se recusaram a mudar para o Conjunto Habitacional Lar Julieta Bueno poderão responder a uma ação cível por prática de crime ambiental. O promotor de Justiça do Meio Ambiente e Saúde Pública, Ângelo Ferreira, solicitou à Assessoria de Assuntos Comunitários uma lista com o número de famílias que não aceitaram a nova moradia e continuam habitando em áreas de preservação ambiental.
Ferreira vai solicitar um laudo do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) para comprovar que as áreas são de preservação ambiental. O Ministério Público entende que a partir do momento em que o Município oferece uma moradia com mais estrutura e melhores condições de vida para famílias que vivem em barracos em fundos de vale e a proposta não é aceita, fica caracterizada a prática de crime ambiental. Não tem mais uma razão social para que essas famílias continuem habitando em áreas de preservação, enfatiza.
De acordo com o promotor, o Ministério Público vai conceder um prazo para que as famílias deixem essas áreas. Depois disso, quem não cumprir a determinação poderá responder uma ação cível. Ele entende que é normal existir uma certa resistência em um primeiro momento, mas ressalta que a mudança é uma necessidade ambiental.
Segundo o assessor de Assuntos Comunitários, Algacir Portes, 27 famílias que foram selecionadas se recusaram a mudar para uma das 480 casas construídas no Lar Cidadão. Todas vivem em áreas de preservação ambiental próximo a nascentes e em beira de rios. Das 27 famílias, 14 disseram que não mudariam porque compraram lote e pretendem construir suas casas. Outros moradores se recusaram a deixar suas casas por estarem próximos ao trabalho.
Enquanto algumas famílias se recusam a mudar para o Lar Cidadão, outras tentam entrar à força nas casas. No final de semana, funcionários da prefeitura precisaram agir rápido para que uma das casas não fosse invadida. A família do aposentado Dorival de Souza, que estava se mudando para uma das casas, arrombou a porta de outra, pois seus móveis não couberam na residência de 40 metros quadrados. Depois da confusão, a família teve que se contentar com apenas um imóvel.


