Silvana Leão
A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina está investigando indícios de irregularidades em vários contratos firmados pela Autarquia Municipal de Ambiente (AMA). Alguns deles, divulgados ontem pelo Ministério Público, envolvem a compra de 1.860 lixeiras que não teriam sido entregues à autarquia; aquisição de quantidade excessiva de marmitex (10.500 somente este ano, quando em 98 foram compradas 3.034 unidades); contratação de projetos ambientais e locação de retroescavadeira (ver matéria nesta página).
O Ministério Público apura, deste fevereiro, denúncias de superfaturamento por empresa contratada pela AMA para efetuar serviços de roçagem e capina. Durante as investigações, constatou indícios de irregularidadas em outros contratos. Ontem, o promotor Bruno Galatti informou que está tentando localizar as lixeiras que teriam sido entregues no dia 16 de novembro de 98 (25 dias após o anúncio do vencedor da licitação) para serem instaladas no quadrilátero central da cidade.
A empresa contratada através de licitação para a construção das lixeiras é a Mecânica Três Marcos, de Londrina, que presta serviços à AMA há cinco anos, fazendo manutenção dos veículos. Segundo o sócio-proprietário da empresa, Antonio Marcos Caetano, a licitação foi vencida em outubro e a encomenda, no valor de R$ 93.930,00, entregue no mês seguinte (cada lixeira teria custado R$ 50,50 para a Prefeitura).
Embora o mecânico garanta a entrega das lixeiras, nenhum dos funcionários da AMA ouvidos até agora pela Promotoria confirmaram o recebimento das mesmas. De acordo com o depoimento de Délcio Garcia Martins, então gerente do setor de capina e roçagem; de José Bahia, encarregado de patrimônio; e funcionários do setor responsável pela instalação de lixeiras, nenhum cesto de coleta de lixo foi instalado em 1998. ‘‘Martins afirmou em seu depoimento que requereu mais cestas para o centro da cidade, em 98, e que recebeu a resposta de que não havia dinheiro para a compra. Ele então foi instruído a pintar as lixeiras, que antes eram brancas, de verde’’, explicou Galatti.
Ontem de manhã a imprensa acompanhou uma visita dos promotores Galatti e Claudio Esteves (ambos foram designados para a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público) à Gerência de Limpeza, Roçagem e Capina - serviços que eram prestados pela AMA e passaram recentemente para a responsabilidade da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) - à procura das lixeiras ou de informações sobre o destino que teria sido dado a elas. O chefe do almoxarifado, Márcio Agnelo da Silva, visivelmente nervoso, disse não lembrar se recebeu o material.
‘‘Eu recebo tanta coisa que, de cabeça, não sei responder’’, afirmou, alegando que começou a trabalhar naquela época na AMA. Márcio justificou o não-comparecimento à Promotoria na véspera, quando foi intimado a prestar depoimento, por problemas na faculdade. Segundo o promotor Galatti, a Gerência de Limpeza, Roçagem e Capina era o último lugar que faltava ser visitado, na procura pelos cestos de lixo. Ao final da visita, os promotores notificaram novamente Márcio da Silva, que deverá prestar depoimento na segunda-feira, às 10 horas.Promotorias apuram possíveis irregularidades em compra de lixeiras, marmitex, contratação de projetos e locação de máquina
Josoé de CarvalhoJosoé de CarvalhoAtrás das lixeirasOs promotores Cláudio Esteves e Bruno Galatti (centro, acima) questionam o chefe do almoxarifado Márcio Silva; ao lado o mecânico Antonio Marcos Caetano, que fabricou as lixeiras: ‘‘Sou um empresário pequeno. Eles estão tentando pegar um pobre coitado para alguma coisa que eu não sei o que 钒

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