Todas as hipóteses já analisadas pelos promotores Sérgio Siqueira e Janderson Yassaka indicam que a empregada doméstica Iracema Henrique, 36 anos, morreu em consequência de forte hemorragia interna e uma queda que provocou extensão (destroncamento) do pescoço. Os promotores continuam os estudos das provas periciais, mas não encontraram nenhum indício de que ela tenha sido assassinada. As informações são do promotor Siqueira.
Iracema Henrique morreu no apartamento onde trabalhava, no Edifício Costa do Marfim, na Rua Belo Horizonte (centro da cidade). O corpo foi encontrado no dia 4. De acordo com laudo da Polícia de Criminalística, a empregada doméstica estava deitada na cama e apresentava lesão cervical e hematomas pelo corpo. O inquérito policial concluiu que Iracema morreu em virtude da hemorragia e da queda.
No entanto, as investigações policiais, iniciadas considerando a hipótese de homicídio, foram alteradas radicalmente sem explicar como a empregada doméstica conseguiu ir do banheiro à cama. Este aspecto levantou dúvidas quanto à conclusão do inquérito. Por isso, os dois promotores estão analisando o caso, especialmente as provas periciais.
De acordo com o promotor Sérgio Siqueira, os laudos periciais são muito genéricos. Mas o médico-legista que fez a necrópsia apresentou, em menos de 20 minutos depois de chamado, um longo e detalhado relatório, ilustrado com fotos. É especialmente este material - que será anexado ao inquérito - que está nos levando à conclusão de que efetivamente Iracema não foi assassinada.
Sobre a dúvida quanto à afirmação do inquérito de que a empregada doméstica teria sofrido uma queda no banheiro e caminhado até o quarto, o promotor não descarta a hipótese de que ela tenha sido carregada até a cama. ‘‘Mas, se isso ocorreu, não há nenhuma relação com a morte. Teria sido mero ato de caridade’’, destacou Siqueira.
O promotor explicou, ainda, que Iracema perdeu aproximadamente 30% de sangue na hemorragia interna e o ‘‘destroncamento’’ só seria possível de uma altura de pelo menos 3,40 metros (inexistente no apartamento) ou provocado por queda repentina (chamado tecnicamente de efeito chicote, ou assemelhado). Para Siqueira, as provas analisadas indicam que ocorreu esta hipótese. ‘‘Não há nenhum indício de que ela pudesse ter sido estrangulada.’’
O patrão de Iracema Henrique, o fazendeiro Olavo Mazao, prestou depoimento ontem e disse que ela havia reclamado de dores. Disse, ainda, que antes de sair do apartamento, deixou R$ 100 para ela comprar medicamentos. O dinheiro foi encontrado em cima da televisão.Arquivo FolhaAnáliseO promotor Sérgio Siqueira, que acompanha o caso: não há indícios de que tenha sido estranguladaÁureo Nogueira

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