Cinco promotores de Justiça da Comarca de Cascavel formalizaram denúncia, ontem, contra oito pessoas direta ou indiretamente envolvidas no desmanche de carros. Os denunciados são o delegado operacional (afastado) da 15ª Subdivisão Policial (SDP), Manoel Pelisson, os investigadores João Carlos Mendes e Lúcio Ferreira, e, por prevaricação, o delegado-chefe Haroldo Davison. E, ainda, o empresário (e piloto de Fórmula Truck) Sidney Alves – foragido –, o gerente de sua empresa de autopeças (ou desmanche) Pedro Afonso de Souza, o despachante Edison Teixeira, e o advogado Iné da Silva, de Pato Branco (Sudoeste do estado).
O relato da denúncia foi feito à tarde, no Fórum, pelos promotores Cláudia Biazus, Carlos Choinski e Wilson Galheira. Eles preferiram fazer poucos comentários, mas disseram ter encontrado ‘‘indícios suficientes’’ para a denúncia e que todos os documentos do processo serão repassados à Corregedoria da Polícia Civil, que faz suas próprias investigações. A Corregedoria também repassou informações importantes aos promotores, que pediram à Justiça ‘‘tramitação especial’’ para o processo – o que sugere prazo máximo de 120 dias para pronúncia dos denunciados.
Segundo a denúncia, no dia 1 de abril os investigadores Ferreira e Mendes encontraram em um posto de gasolina a carreta Scania 113, ano 95, com as placas BSF-3577 (Santos-SP). Os policiais teriam consultado o cadastro nacional de carros roubados, que indicava haver diferença entre o chassis do caminhão e o constante do registro, ‘‘o que ensejaria investigações’’. Por ordem do delegado Manoel Pelisson, a carreta foi recolhida e permaneceu estacionada nas proximidades da 15ª SDP durante dois dias, sendo a seguir localizado na empresa de Sidney Alves.
Na empresa, a carreta sofreu alterações diversas, inclusive no chassis, ‘‘para fazer desaparecer vestígios das características originais’’. Depois, Sidney Alves (já com prisão preventiva decreta) encomendou ao despachante Edison Teixeira novas placas ‘‘para consumar a falsificação’’. Enquanto isso, o delegado Pelisson, ‘‘em conluio com o advogado Iné da Silva’’ – que seria o procurador do suposto proprietário –, teriam simulado um falso auto de restituição da carreta ao dono, sob a alegação de que, no dia da apreensão, nada constava no registro de carros roubados.
O delegado-chefe, Haroldo Davison, ainda segundo a denúncia, teria acompanhado os fatos sem determinar sua investigação e, ‘‘ao contrário, preocupando-se em afirmar a inocência de seu subordinado’’. Por isso, a denúncia por prevaricação. No caso de Pelisson, Mendes, Ferreira, Alves, Souza e Teixeira, a denúncia é de que ‘‘se associaram conscientemente com o fim de praticar crimes’’ e a fim de ‘‘obter enriquecimento ou vantagem’’, e contra o advogado Iné da Silva (e Pelisson), de ‘‘fraude’’. Manoel Pelisson já está recolhido à Curitiba pela Corregedoria de Polícia.
O delegado Haroldo Davison disse que considera seu enquadramento ‘‘um absurdo’’, porque teria ‘‘informado tudo desde o início’’ à Divisão de Polícia do Interior e ao próprio secretário de Segurança, José Tavares, e ele próprio tomou depoimentos de Alves e Souza. Sobre a ‘‘defesa’’ que teria feito de Pelisson, disse que nunca procurou a Imprensa para defendê-lo. ‘‘Mas quando fui procurado, manifestei meu entendimento sobre o caso’’. Por este entendimento, ‘‘todos são inocentes enquanto não for provada sua culpa’’. Sobre os dois investigadores, relatou que aguarda pronunciamento de superiores.

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