MP denuncia médicos por negligência
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terça-feira, 23 de abril de 2002
Gilmar Agassi Equipe da Folha 
Cascavel - O promotor de Justiça Marcelo Balzer Corrêa apresentou ontem ao juiz da 1ª Vara Criminal de Cascavel, Moacir Dalla Costa, denúncia de negligência médica contra os médicos Sônia Amorim, Norio Ito e Ivair Caloni. O Ministério Público considerou os três responsáveis pela morte da recém-nascida Ana Caroline Rodrigues Carnizal, no dia 11 de julho de 1999, no Hospital Regional de Cascavel.
De acordo com a denúncia, a gravidez de Cleilaine Rodrigues Carnizal, mãe da criança, vinha sendo acompanhada por Sônia Amorim, no posto de saúde municipal. Após a realização de exames de ultra-sonografia e ecografia, a médica marcou o parto para o dia 8 de julho de 1999.
Na data marcada, ela dirigiu-se até o Hospital Santa Catarina, quando foi informada pela própria médica que para a realização do parto seria necessário o pagamento de aproximadamente R$ 800,00. Como não tinha recursos para pagar, Cleilaine foi orientada pela médica a dirigir-se ao Hospital Regional.
Com dores, Cleilaine procurou o Hospital Regional na madrugada de 11 de julho. Ela foi atendida pelo médico plantonista Norio Ito, que ao verificar seu estado de saúde, determinou o tratamento para dores e infecção, deixando de efetuar o parto já anteriormente previsto.
Por volta das 7 horas do dia 11 de julho, assumiu o plantão do Hospital Regional Ivair Calone, que ao avaliar a mulher grávida determinou a realização de uma ecografia, Mesmo com o exame, Calone manteve o tratamento para infecção urinária e diarréia. O promotor de Justiça entende que tanto a médica como os plantonistas foram imprudentes e negligentes, por não realizarem o parto.
Somente por volta das 20 horas do mesmo dia, ao assumir o plantão, Sônia Amorim determinou o atendimento obstétrico a paciente. A demora para realização do parto resultou na morte de Ana Caroline, um dia depois, em razão de parada cardíaca e insuficiência respiratória.
Os três acusados pelo Ministério Público se recusaram a falar com a imprensa. Eles alegaram que não foram notificados e que irão se defender na Justiça.


