MP denuncia freira em Guarapuava
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terça-feira, 26 de junho de 2001
Edna Mendes De Londrina 
O Ministério Público de Guarapuava vai formalizar hoje uma série de denúncias contra a freira Anilse Terezinha Bianchini, 58 anos, presa desde domingo na delegacia local. As acusações devem resultar na abertura de processo criminal contra a religiosa, acusada de adoções irregulares, tortura, falsidade documental e coação de testemunhas. O Ministério Público já confirmou a participação da freira em vários casos de adoções ilegais de crianças.
Anilse Bianchini estava sendo investigada pelo MP desde maio, quando foi denunciada por funcionários da Creche Santa Terezinha, que ela administrou por nove anos, de ter omitido socorro a uma criança acidentada. A freira teria se negado a emprestar seu carro para que os funcionários encaminhassem a criança ao hospital. A partir dessa denúncia o MP descobriu várias outras irregularidades envolvendo a freira. Ela está sendo denunciada por sete funcionários da creche.
Ontem, seis crianças prestaram depoimento ao promotor Humberto Eduardo Pucinelli e confirmaram que foram vítimas de sessões de tortura praticadas pela freira. O promotor afirmou que vários casos de adoções irregulares envolvendo a freira já estão confirmados. Ele não informou quantos, mas disse que hoje, após ingressar no Fórum com o pedido de abertura de processo, vai divulgar quantas crianças foram adotadas ilegalmente com a ajuda da religiosa. O Ministério Público está tentando localizar as crianças. O promotor disse também que somente hoje vai divulgar quais os tipos de tortura a que as crianças eram submetidas. Ao todo são 11 crianças que teriam denunciado a religiosa por maus-tratos.
Pucinelli informou que a prisão preventiva da freira foi solicitada para que fosse possível continuar com as investigações, já que ela vinha dificultando o trabalho do MP. Através de escuta telefônica descobrimos que a freira vinha orientando algumas pessoas para que testemunhassem em favor dela e ameaçando outras. Ela estava montando sua defesa, disse.
Anilse foi presa no domingo à noite pela Polícia Militar, no Albergue Noturno. Ela está detida numa cela comum da carceragem da 14ª Subdivisão Policial de Guarapuava. O cubículo sem banheiro tem apenas um colchão. A freira recebe diariamente visitas de religiosas.
Ontem esteve na delegacia o bispo Giovani Zerbini. Ele divulgou uma nota oficial lamentando a prisão. Dom Giovani declarou que não concorda com a maneira como as investigações estão sendo conduzidas porque a religiosa não apresenta, segundo ele, nenhum perigo à sociedade. Anteontem, a congregação das irmãs vicentinas contratou o advogado Miguel Nicolau Junior para defender a freira. Ele informou que já ingressou na 1ª Vara Criminal com pedido de revogação da prisão.
O advogado alega que a religosa tem endereço fixo, ocupação definida e poderá aguardar o julgamento em liberdade. Nicolau disse que a religiosa admite ter participado de adoções de crianças filhas de mães solteiras ou de mulheres que ameaçavam abortar, mas que todos os processos teriam sido legais.


