MP denuncia delegados e policiais
Os principais responsáveis pela Polícia Civil de Cascavel e alguns de seus subordinados estão sendo formalmente denunciados pelo Ministério Público, por conivência com a atuação de Ivan Serafim Borges, 34 anos, preso há duas semanas pela Polícia Militar. Segundo promotores e a PM, Borges, agora também denunciado, ostentava a condição de policial civil com apoio de delegados, portava armas ilegalmente e estava de posse de um carro policial. Contra ele pesam acusações em outras comarcas, inclusive de envolvimento em um sequestro em Umuarama (Noroeste do Estado), e é investigada a possibilidade de enriquecimento ilícito.
A denúncia contra os chefes locais da Polícia Civil e subordinados partiu dos promotores Eduardo Monteiro e Guilherme Teixeira e foi aceita pelo juiz Rosaldo Pacagnan. Com isso, tornam-se réus o delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial (SDP), Osnildo Carneiro Lemes, os delegados Ary Nunes Pereira (1º Distrito) e Elaine Ribeiro (Delegacia da Mulher), o superintendente da 15ª SDP Manoel Pedro dos Santos, e os investigadores Gilberto Ardanaz (chefe da seção de Furtos e Roubos) e Ivo Hass. O juiz Rosaldo Pacagnan considerou consistentes os argumentos do Ministério Público, para aceitar a denúncia contra os policiais e contra Ivan Serafim Borges.
O MP arrolou 11 testemunhas de acusação e, segundo disse ontem à tarde o promotor Eduardo Monteiro, ao fornecer cópia da denúncia as testemunhas devem fornecer elementos consistentes para o desfecho do processo - com duração imprevisível e com penas combinadas de artigos diversos. Contra os denunciados, que começarão a ser ouvidos na próxima semana, foram relacionados vários enquadramentos do Código Penal e do Estatuto da Polícia. O delegado Osnildo Carneiro Lemes está viajando e o superintendente Manoel Pedro dos Santos disse que por enquanto é melhor o silêncio, mas no momento certo faremos nossa defesa consistente.
Em depoimento ao juiz Rosaldo Pacagnan, Borges negou acusações e disse ser apenas um colaborador da PC. Ele não incriminou os policiais. No entanto, os promotores relacionam várias situações em que ele teria atuado como policial, com identidade falsa, armado, com colete, em carros oficiais, abordando pessoas e em diligências, acompanhado de policiais e até delegados. Ao ser preso pela PM, ele estava, além de outros objetos próprios de policiais, com um carro da Polícia Civil e uma pistola israelense de uso proibido, que originalmente estava em depósito com o delegado Lemes, com conhecimento do delegado Pereira.Marcelino DuartePresoIvan Borges (à direita), cercado por soldados da Polícia Militar, pivô de toda denúncia do Ministério Público de Cascavel contra alguns delegados e agentes da Polícia CivilPaulo Pegoraro





