Curitiba - O Ministério Público (MP) do Paraná ofereceu denúncia contra 16 pessoas, acusadas de envolvimento na quadrilha que foi responsável pelas mortes de mulheres em Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba. O documento de 22 páginas, e que reúne o depoimento de 48 testemunhas, foi entregue no final da tarde de ontem à juíza do município, Luciane Ludovico. Ela tem prazo de 48 horas para analisá-lo e decidir se acata ou não a denúncia.
A denúncia do MP – assinada por cinco promotores de Justiça, entre eles, representantes da Promotoria de Investigação Criminal (PIC) –, foi formulada com base nos três inquéritos conduzidos pela delegada Vanessa Alice, designada para investigar o assassinato de mulheres em Almirante Tamandaré. Envolve, ainda, um quarto inquérito, que estava na mão de promotores, sobre o extermínio de quatro rapazes ocorrido em junho de 2000. Um dos jovens seria integrante da quadrilha. Os outros três teriam sido vítimas de ‘‘queima de arquivo’’ por terem testemunhado a morte do colega.
No documento entregue ontem à Justiça são denunciados os policiais militares Juliano Vidal de Oliveira, Jean Adan Grott, Juarez Silvestre Vieira, Jeferson Martins, José Aparecido de Souza, Marcos Marcelo Sobieck e Leily Pereira, o escrivão da policial civil Alexandre Perin Pimenta, o servidor público Luiz Antonio Alves da Silva. São acusados, ainda, de envolvimento o comerciante Sebastião Alves do Prado, o motorista Celso Luiz Moreira, Paulo Celso Rodrigues (o ‘‘Celsinho’’), a comerciante Maria Rosana de Oliveira, o segurança Antonio Martins Vidal (o ‘‘Tico Pompílio’’), o ex-policial militar Valdírio Adir Mangger e André Luiz dos Santos. Todos os acusados já estão temporariamente presos.
Juarez Silvestre Vieira e Alceu Rodrigues – morto pela quadrilha no mês passado – teriam sido os executores dos assassinatos da prostituta Maria da Luz Alves dos Santos (a ‘‘Maria Jibóia’’), 33 anos, e da estudante Joyce Katolick Devitte, 19 anos.
Na denúncia o MP atribui ainda à quadrilha o assassinato de um de seus ex-integrantes, em fevereiro deste ano. Carlins Proença da Rosa, segundo a denúncia foi dominado por seus ex-comparsas, baleado, obrigado a ingerir gasolina, e teve o corpo queimado dentro de seu próprio veículo.
De acordo com o MP, a quadrilha tinha por trás um ‘‘refinado esquema para acobertamento de crimes praticados pelo bando’’, como atendimentos aos locais de crimes pelos próprios policiais envolvidos com a quadrilha.

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