MP de Cascavel denuncia hospitais por omissão
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sexta-feira, 21 de setembro de 2001
Gilmar Agassi <br> De Cascavel 
O Ministério Público deverá instaurar na próxima segunda-feira um procedimento criminal contra quatro hospitais de Cascavel acusados por omissão de socorro. Os hospitais Universitário, São Lucas, Policlínica e Santa Catarina se negaram a atender uma adolescente na madrugada de ontem. Um outro hospital, o Nossa Senhora Salete, só aceitou atender a menor O.R., 14 anos, depois que o médico e um diretor receberam ameaças de serem presos.
Segundo Nadir Barbosa, coordenadora do Serviço de Atendimento Social (SAS), a menor estava desacordada há muito tempo, e isso começou a causar preocupação, pois ela recebe doses fortes de medicamentos. Após acionar o médico do órgão, Nadir foi aconselhada a levar a interna para o Hospital Universitário.
Ao chegar no hospital, a menor precisou esperar por uma hora até que o plantonista a atendesse e decidisse que o caso precisava de internamento. Entretanto, a coordenadora do SAS foi informada que não haviam leitos disponíveis e que deveria acionar a Central de Leitos para tentar vaga em um dos quatro hospitais particulares que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Cascavel.
Nadir decidiu levar a menor para o Hospital Nossa Senhora Salete onde recebeu mais uma negativa de leitos. Por telefone tentou uma vaga nos hospitais São Lucas e Policlínica que também informaram que não haviam vagas para internamento através do SUS. ''Como não tinha outra alternativa liguei para o doutor Donizete Botelho (delegado) e para o promotor pedindo que me ajudassem'', esclarece a coordenadora.
De acordo com o promotor de Justiça da Infância e Adolescência, Pedro Carvalho Santos Assinger, o médico de plantão chegou a se recusar à atender a menor, e foi necessário ser ameaçado de prisão para reconsiderar sua decisão. Após examinar a paciente, o médico disse que se tratava de um caso que necessitava de atendimento psiquiátrico, mas que a paciente não corria risco de vida.
O promotor explica que o problema da menor O.R., contraria o artigo primeiro do Estatudo da Criança e da Adolescência que garante proteção integral a criança. Para Assinger, a saúde precisa melhorar muito em Cascavel. ''A gente não tem a obrigação de saber se o problema é grave ou não. Será que uma pessoa com a bolsa recheada de dinheiro não seria atendida?'', questiona.


