A promotora do Meio Ambiente em Araucária, Estela Burda, disse que a mobilização da Petrobras para conter o vazamento de óleo na Repar ‘‘deixou a desejar’’. A promotora critica a empresa por não ter comunicado o Ministério Público quando o acidente foi descoberto. Ela afirma ter constatado que não há equipamentos adequados, nem pessoal suficiente para trabalhar na operação. Uma ação civil pública está sendo elaborada pelo MP para cobrar reparos dos danos ambientais.
A demora em agir facilitou o avanço do óleo pelo rio Iguaçu, suspeita a promotora. ‘‘Muita coisa não foi feita diante do tempo que passou’’. Estela acusa a Petrobras de tentar abafar o caso. ‘‘Como verificaram que não iriam resolver, decidiram contar’’. A representante da promotoria percorreu na segunda-feira as margens do rio Iguaçu e garante ter testemunhado que até às 16 horas daquele dia, o óleo avançava sem resistência.
A Petrobras não teria sequer um bote para acompanhar a progressão da mancha. ‘‘O único barco que vi pertencia ao IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e era bem pequeno. A operação foi precária. Diante da extensão do desastre, o que foi colocado em ação era muito pequeno’’. Estela disse que o presidente da Petrobras, Henry Philippe Reichstul, distorceu informações ao falar à imprensa sobre as providências para conter o óleo. ‘‘As informações não condizem com o que vi no local’’.
Amanhã, às 14 horas, o superintendente da Petrobras em Araucária, Luiz Eduardo Valente, vai ter que apresentar documentos sobre a análise de risco, licença ambiental e o plano de emergência da estatal. A reunião será realizada no Centro de Apoio às Promotorias do Meio Ambiente, em Curitiba. O Ministério Público pediu a abertura de inquérito policial que será acompanhado por dois delegados da Delegacia do Meio Ambiente. O Instituto de Criminalística ficará com a tarefa de computar os prejuízos à fauna e a flora ao longo do rio Iguaçu.
A exemplo do IAP, a promotoria também deve estipular uma multa para a Petrobras. O valor ainda não foi calculado. Primeiro, Estela Burda cita que a ‘‘prioridade é o plano de recuperação’’ que a Petrobras vai ter que apresentar. A promotora disse que apesar dos danos, a tragédia poderia ser ainda maior caso houvesse uma explosão. ‘‘O que poderia ter acontecido, graças a Deus não ocorreu’’.

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