MP constata precariedade de hospital
Érika Pelegrino
O promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, pretende pressionar o governo estadual a liberar o mais rápido possível a verba de R$ 1,4 milhão necessária para a ampliação do Hospital da Zona Sul, em Londrina. O promotor esteve ontem no hospital, onde ocorreram duas mortes recentemente, para averiguar a situação. O Zona Sul tem enfrentado problemas em decorrência da falta de estrutura física e de pessoal.
Tavares percorreu o hospital, junto com o diretor-clínico Sidney Girotto, para conhecer as instalações e ver de perto como é realizado o trabalho dos profissionais. Nós matamos um leão por dia aqui para não fechar as portas, afirmou o diretor-clínico.
Entre as muitas dificuldades enfrentadas pelo HZN, uma das mais graves é o funcionamento da cozinha ao lado do setor de pediatria. Girotto mostrou ao promotor o local onde estão internadas crianças com infecção. Como pode a cozinha funcionar numa área onde existem pessoas com doenças infecciosas? questionou o diretor.
O projeto de ampliação do Zona Sul prevê a transferência da cozinha para o setor administrativo, liberando a área para mais 12 vagas. Se tivermos mais leitos aqui podemos tirar os oito pacientes internados no pronto-socorro, afirmou o diretor-clínico.
O promotor pediu de imediato que o Girotto faça um relatório mostrando todos os problemas enfrentados no dia-a-dia do hospital. Com o projeto de ampliação e o relatório, o Ministério Público irá pressionar o Estado, afirmou Tavares.
A visita do promotor ao Zona Sul se deu após reclamações do Conselho de Saúde da Reigião Sul (Consul) sobre o atendimento e falta de pessoal. Djamedes Maria Garrido afirmou que os quatro funcionários lotados no Zona Sul - um médico e três administrativos -, que atualmente prestam serviços em outra secretaria e na central de transplantes, retornarão ao hospital ainda esta semana.
A auxiliar de enfermagem Tilze de Lourdes Martins aproveitou a visita do promotor para pedir ajuda. Estou aqui desde a criação do Zona Sul e a situação não melhora, só tem piorado. Será que não vão olhar para essa gente?, questionou.
Para a primeira fase das obras, que inclui reforma da enfermaria e a transferência da cozinha para o setor administrativo, são necessários R$ 350 mil. Já estão no Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), R$ 227 mil. O restante, segundo a chefe da 17ª Regional de Saúde, Djamedes Garrido, será repassado ao departamento ainda esta semana, para que seja aberto o processo licitatório. Mas isto demanda tempo e, quando se trata de saúde, tem que ser o mais rápido possível. Por isso é necessário pressionar o Estado, afirmou o promotor.





