Lucilia Okamura
De Londrina
A Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) liberou, em apenas um dia (26 de maio deste ano), R$ 3,4 milhões para empresas vencedoras de supostas licitações. O Ministério Público, que apura irregularidades na administração municipal, comprovou, no entanto, que estas licitações, na modalidade carta-convite, foram fraudulentas e nenhum serviço foi executado.
‘‘É uma fraude escandalosa. Estamos perseguindo o destino do dinheiro que, efetivamente, foi desviado’’, afirmou ontem o promotor de Investigações Criminais, Cláudio Esteves. Ele e o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, e a promotora da Vara de Execuções Penais, Solange Vicentin, são os responsáveis pelas investigações.
Na semana passada e no início desta semana Esteves foi a Curitiba colher depoimentos de pessoas ligadas a empresas que teriam vencido licitações. Ele não quis comentar o teor das declarações prestadas em Curitiba, mas disse que, com base nestes depoimentos e também de outras testemunhas, o MP comprovou que as licitações foram fraudadas.
A Folha já havia publicado reportagem, em novembro, sobre as licitações de maio, que chamaram a atenção dos promotores por serem de maior valor e efetuados no menor espaço de tempo. Na época, havia apenas suspeitas de que os 24 contratos licitatórios, pagos para cinco empresas, eram irregulares. ‘‘Já existiam indícios, agora comprovamos a não realização dos serviços e que os pagamentos foram fraudulentos’’, afirmou. Segundo ele, as licitações são posteriores ao pagamento.
As empresas envolvidas são Remix Serviços Técnicos S/C Ltda, Nova Forma Engenharia e Construção Ltda, NT & C Consultoria e Construção Ltda, Kesikowski Engenharia e Construções Civis Ltda, todas de Curitiba, e a Gomes & Amâncio, de Londrina.
O promotor da PIC contou que, com relação às empresas ‘vencedoras’ de licitações na Comurb e na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), há uma ligação entre a maioria delas. Algumas pertencem a um único proprietário ou os donos de várias empresas são parentes. Sobre as pessoas ouvidas em Curitiba, ele explicou que algumas poderão ser inquiridas a prestarem depoimento novamente.
Ao todo, os promotores investigam 200 contratos da Comurb e da AMA, cujos valores giram em torno de R$ 15 milhões. Esteves informou que já existem elementos para processar uma parte dos envolvidos nas irregularidades. ‘‘Mas estamos buscando os verdadeiros responsáveis, os beneficiados com o dinheiro desviado, não queremos processar só os intermediários’’, afirmou.
O promotor disse que a sociedade cobra rapidez nas investigações, mas ‘‘não podemos fazer nada precipitado’’. ‘‘Estamos sendo meticulosos, por isso não podemos trabalhar com prazos’’.

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