A promotora Rosana Araújo de Sá Ribeiro Pereira deu prazo de 60 dias para que seis condomínios residenciais e quatro empresas de Campo Mourão regularizem o sistema de gás a granel que foi implantado sem a aprovação do Corpo de Bombeiros. O prazo faz parte de um termo de ajustamento proposto pelo Ministério Público (MP) após denúncia do Corpo de Bombeiros.
‘‘As pessoas recebem uma prestação de serviços e, às vezes, não têm noção do perigo que estão correndo’’, disse a promotora. O comandante do Corpo de Bombeiros de Campo Mourão, tenente Jorge Inácio da Silva, afirmou ontem que todos os condomínios e empresas da cidade que adotaram o sistema de gás a granel ‘‘extrapolaram as normas de segurança’’.
De acordo com Silva, a implantação do sistema exige a apresentação de um projeto com a aprovação da prefeitura e do Corpo de Bombeiros, o que não aconteceu em nenhum dos casos. Ele lembra também que o sistema exige a existência de assistência técnica a pelo menos 100 quilômetros de distância, o que também não estaria sendo cumprido.
‘‘Sem assistência técnica, um simples vazamento pode signficar uma tragédia’’, diz Silva. Segundo ele, o caminhão que faz o abastecimento do gás é uma ‘‘bomba ambulante’’ e precisa ter dias e horários definidos para fazer o transbordo do produto. ‘‘Se um caminhão desses explodir, um bairro inteiro pode ser destruído.’’
Silva disse ainda que o comando do Corpo de Bombeiros chegou a alertar os condomínios sobre o problema e que só houve a denúncia ao MP porque nada foi feito. ‘‘O que nós queremos é um projeto que comprove que as normas de segurança estão sendo cumpridas e que haja assistência técnica disponível’’, ressaltou o comandante.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, casos como o edifício Diplomata, que tem um reservatório para dois mil litros de gás, podem significar a destruição de um quarteirão inteiro em caso de explosão. O prédio tem 15 andares e fica no centro da cidade. A síndica do edifício, Soeli Maria Teodoro Gabriel, discorda da argumentação dos bombeiros.
‘‘Nosso condomínio está mais seguro hoje do que antes’’, disse ela. Segundo Soeli, a segurança aumentou porque a empresa que instalou o novo sistema faz vistorias mensais, o que não ocorria antes. Ela afirmou também que as normas de segurança foram obedecidas e que a proposta do MP será analisada pela assessoria jurídica da empresa instaladora.
O sistema de gás a granel vem sendo adotado por empresas e condomínios porque gera economia com o consumo de gás. No edifício Diplomata, Soeli disse que houve uma economia mensal de 20% em relação ao sistema anterior, com gás em cilindros.

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