O reimplante do antebraço direito de Adriano Marcon, 15 anos, ocorrido no dia 13 no Hospital Evangélico de Londrina (HEL), e o drama do motorista Romildo Jesus de Oliveira, 31 anos, trouxeram à tona o drama de quem ainda espera por uma microcirurgia de reconstuição de membros no Norte do Paraná. Em setembro de 2002, Oliveira sofreu um acidente que quase decepou seu braço esquerdo. Ele precisa passar por uma microcirurgia reconstrutiva, mas o HEL, único com estrutura e pessoal para realizar cirurgia na região, não é credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O acidente levaria Oliveira a um tortuoso caminho para o tratamento, que está sendo realizado pelo Hospital Universitário, em Londrina. O motorista, que é de Jataizinho (21 km a leste de Londrina) relatou ontem suas dificuldades ao Ministério Público e hoje foi agendada uma audiência da promotoria com a direção clínica do HU.
O braço esquerdo de Oliveira ficou preso ao corpo apenas pela pele e alguns músculos. O primeiro atendimento foi feito em Salinas (MG), cidade onde ocorreu o acidente com seu caminhão. Quase seis meses depois, a luta de Romildo agora é para readquirir ''o direito de conseguir trabalhar de novo''.
Exames clínicos dão ao motorista uma chance de recuperação de 50% dos movimentos do braço caso passe por uma microcirurgia reconstrutiva. O custo, no caso de Romildo, é calculado em R$ 30 mil.
O paciente diz que não pode pagar o valor. E que já está difícil desembolsar os R$ 750,00 mensais com os remédios. ''Se eu não fizer a operação, vão me empurrar para uma aposentadoria por invalidez, mas se existe possibilidade de eu conseguir voltar a ser ativo, desempenhar algum trabalho, eu quero ir até o fim'', explica. O paciente diz que seu caso vem sendo acompanhado pelo médico Edson Kenji Takaki, especialista em microcirurgias do HE.
O médico, segundo Romildo, diagnosticou duas lesões em um dos nervos principais do braço. O motorista tem dores constantes no punho e no cotovelo do braço machucado, além de formigamento. Nenhum dos dedos tem movimentos, e apenas três deles conservam alguma sensibilidade.
O promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, disse que o paciente reclamou que está em tratamento há cinco meses e relatou ''várias interrogações'', como a necessidade de passar por microcirurgia para recuperar os movimentos. O promotor disse que convocou uma reunião para hoje com a diretoria clínica do HU. Afora esse caso, Tavares disse que já oficiou por duas vezes o poder público local cobrando a necessidade de credenciamento de algum hospital na cidade que atenda casos de alta complexidade. Ele está aguardando uma posição do município.
O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, foi procurado mas estava em viagem à Brasília (DF). A diretoria do HU também foi procurada mas ninguém estava disponível para dar declarações ontem.

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