MP busca alternativas para afastar crianças do crime
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2003
Renê Muller<br> Reportagem Local 
O garoto J., 17 anos, é interno do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Estudou até a 3 série fundamental. Já aos 9, começou a usar drogas. Apesar da mãe morar com quatro filhos e o atual marido no Jardim São Jorge (zona oeste de Londrina), não vive em casa. E por opção própria. A mãe contou à Edina Maria Silva de Paula, promotora da Vara da Criança e do Adolescente de Londrina, que quando o filho se acalma, passa uns dias com ela e com os irmãos. Mas quando chega a ''tchurma'' (palavras da própria mãe) ele vai e não volta. Ela só sabe o que ocorreu com o filho quando ele já está de novo no Ciaadi.
Essa foi a primeira de uma lista de histórias semelhantes, grande parte delas com final ainda mais triste e violento, apresentadas pela promotora em uma reunião ocorrida ontem à tarde no Fórum de Londrina. Edina convocou uma lista de organizações para uma missão especial: mapear e aproveitar ao máximo todas as iniciativas, programas e projetos que trabalham com os menores de 7 a 14 anos da cidade. A intenção é integrar menores carentes com eficiência nesses projetos, e trabalhar preventivamente, evitando que sigam o caminho de J. e tantos outros garotos assassinados ou detidos por causa do crime.
Junto à promotora, estão as universidades londrinenses, igrejas, secretarias de Educação, Cultura e Assistência Social, e organizações como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O próximo encontro está marcado para o dia 17 de março, ocasião em que ocorre a reunião de mapeamento de projetos. Uma semana antes, as entidades que trabalham com os adolescentes carentes vão entregar os relatórios sobre seus projetos. Ciaadi, Conselho Tutelar e secretaria de Ação Social e Cidadania vão providenciar um outro mapeamento, este geográfico: o objetivo é conhecer exatamente bairros e regiões onde o envolvimento do menor com o crime é maior.
A promotora lembra que o esforço será conjunto. ''Vamos tentar conseguir com as igrejas, por exemplo, locais para trabalhar com esses adolescentes'', ressalta. ''Eles serão encaixadas nos programas que já existem, pois chegamos a conclusão que o menor infrator de Londrina não está participando dessas iniciativas''. Em Londrina, frisa, nenhum dos quase 190 adolescentes em liberdade assistida fazem parte de projetos na cidade.
A gota d'água para a promotora foi o assassinato do atendente de farmácia Dagoberto Ferraz dos Santos, 44 anos, ocorrido no último dia 12, e assumido por quatro menores. ''Nós estamos perdendo os meninos entre 7 e 14 anos, faixa etária em que eles estão saindo da escola e entrando no caminho do crime e do consumo de drogas'', opina.


