O Ministério Público está analisando, desde outubro do ano passado, denúncias de irregularidades contra o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina. O promotor Paulo Tavares, da Promotoria de Direitos Constitucionais, disse ontem que a documentação apresentada ao órgão está sendo avaliada por um auditor e que até o final do mês ele deverá concluir se as acusações têm fundamento.
As supostas irregularidades foram levantadas por Sandra Soares de Mello, ex-diretora de base da entidade, e pelo atendente de enfermagem Luiz Antonio Bertazo. Sandra comenta que os casos foram apurados em sindicância interna quando ela ainda estava no sindicato, em 1996. Entre os problemas verificados estão o desaparecimento de documentos; adiantamentos salariais não descontados na folha de pagamento; talões de cheques com canhotos em branco; compra de itens estranhos, como toalha de praia, fronhas e lençóis; e pagamento de diárias de hotel irregulares, entre outros.
De 1996 para cá, afirma Sandra Mello, nenhuma providência foi tomada pela direção do sindicato para apurar as responsabilidades. ‘‘A gente queria resolver isso no sindicato e não conseguiu. Fizemos a denúncia na CUT (Central Única dos Trabalhadores) estadual e também não deu em nada. Tentamos ainda levar os problemas para uma assembléia e não foi possível’’, reclama. ‘‘E a direção do sindicato sempre protelou, nunca demonstrou boa vontade. Queria resolver o problema sem que a categoria soubesse, o que nós não concordamos. Por isso levamos o problema para o Ministério Público.’
Sandra e Bertazo também criticam a falta de eleição no sindicato, que não é realizada desde 1992. ‘‘Eles estão prorrogando o mandato há muito tempo. E até agora só apresentaram desculpas sem fundamento’’, afirma. Para Bertazo, a falta de eleição pode ter relação com as irregularidades, ou seja, seria uma forma dos problemas não serem investigados.
Sandra Mello observa ainda que o prejuízo com desvio de verbas pode chegar até a R$ 19 mil ou mais. ‘‘Somos apenas dois e fica difícil lutar contra um batalhão. A nossa esperança é que agora a categoria acorde. É a categoria quem vai ter que punir. É o dinheiro deles que está lᒒ, aponta a ex-sindicalista, não escondendo que pretende participar da próxima eleição em uma chapa de oposição.
Ana Maria da Cruz, presidente do sindicato, diz que as acusações são antigas e que não é verdade que nenhuma providência foi tomada pela direção do sindicato. ‘‘O funcionário que trabalhava na tesouraria, na época, foi demitido. De lá para cá, toda nossa prestação de contas foi aprovada’’, afirma a presidente. Para ela, a questão levantada pela oposição é meramente política. ‘‘Ela (Sandra Mello) não tem provas contra nós. O que ela quer é denegrir a imagem do sindicato’’, afirma. E devolve: ‘‘A única coisa que existe é que ela emprestou dinheiro do sindicato e até agora não pagou.’
Ana Maria estranha que os problemas estejam sendo levantados somente agora e não quando Sandra Mello ainda estava dentro do sindicato. Diz ainda que a ex-sindicalista foi afastada da entidade por não acatar as determinações da diretoria e que, depois, acabou também perdendo o emprego num hospital da cidade. ‘‘Ela não faz mais parte da categoria’’, destaca.
A presidente afirma ainda que não reconhece como autêntica as atas de reuniões realizadas dentro do sindicato e apresentadas ao Ministério Público. ‘‘Só tomamos conhecimento desses documentos no ano passado, quando foram apresentadas ao Ministério Pública. Por que não foram mostrados antes para o sindicato?’
Sobre a falta de eleições, Ana Maria explica que as prorrogações de mandato foram decididas em assembléia, pela própria categoria, e que novas eleições estão marcadas para setembro deste ano. Lembra também que, no ano passado, Sandra Mello e Bertazo convocaram uma assembléia, à revelia da direção, para tentar derrubar a diretoria. Mesmo assim a categoria não deu ouvidos aos dois e manteve a atual direção. ‘‘O que ela quer, agora, é lavar roupa suja fora da entidade.’Paulo WolfgangAcusaçãoSandra de Mello e Luiz Bertazo: sindicância teria apurado várias irregularidades em 1996. ‘‘De lá para cá não foi feito mais nada’’Lúcio Horta

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