MP analisa intervenção em creche
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terça-feira, 02 de julho de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A promotora de Defesa da Infância e da Adolescência de Londrina, Solange Vicentin, recebeu ontem da secretária municipal de Educação, Magda Tuma, o pedido de intervenção da Creche Níssia Rocha Cabral, localizada no Conjunto Cafezal (zona sul). Uma auditoria realizada pela prefeitura reprovou a prestação de contas da creche e constatou irregularidades no valor de R$ 313.494,25, que teriam sido cometidas pela atual diretoria, presidida por Josefina dos Santos, a ''Tia Josi''.
Solange, que responde pela promotoria no período de férias forenses, recebeu uma pasta com documentos originais recolhidos na creche, que serão analisados até o final desta semana. Ela deverá propor uma ação de intervenção da direção atual da creche. Um juiz analisa a peça jurídica e poderá decretar ou não a nomeação dos interventores provisórios já indicados pela secretaria: Flávia Flumignan, Edson Fluminhan e Beatriz Francovig.
Magda afirmou que entrou com o pedido porque a documentação analisada pela auditoria ''contém fortes indícios de irregularidades'', que poderiam prejudicar o repasse da cota mensal de R$ 8,7 mil destinados à creche. A entidade atende 196 crianças.
''Para manter esse repasse e o atendimento às crianças, tem que haver a nomeação dessa diretoria provisória'', completou a secretária. Ela irá solicitar na próxima reunião do Conselho de Educação, nesta semana, a formação de uma comissão para acompanhar o processo de intervenção da creche.
Para Magda, os casos de irregularidades encontrados em duas das 61 creches auditadas pela prefeitura não devem ser entendidos como uma situação genérica. ''O acompanhamento que fazemos não é para encontrar irregularidades, mas para organizar a documentação.'' Por mês, o município repassa R$ 272 mil às creches.
A promotora adiantou que caso contaste as irregularidades relatadas pela secretaria poderá pedir abertura de inquérito. A mesma opção tem a Procuradoria Jurídica do Município, que também pode representar contra a direção da creche pedindo o ressarcimento dos recursos públicos.
O advogado de Josefina, Sérvio Borges da Silva, foi procurado no final da tarde, mas não respondeu ao recado deixado na secretária. Em entrevista à Folha anteontem, ele disse que irá prestar os esclarecimentos quando for chamado.


