Pressionando por ações rápidas, a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Novaes Vicentin, disse ontem que vai multar o município se não forem tomadas medidas para resolução dos problemas relacionados à coleta do lixo na região central da cidade. A promotora participou de reunião com representantes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), Associação de Moradores da Região Central e Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). As discussões têm o objetivo de solucionar o problema das 60 toneladas de lixo produzidas por dia no centro.
Solange Vicentin explica que o Ministério Público (MP) entrou com uma ação civil pública em 2000 pedindo reciclagem de 100% do lixo produzido na cidade e educação ambiental para toda a população. Como o município recorreu em todas as instâncias, o caso acabou no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que julgou a ação favorável ao MP, no ano passado. ''Vou solicitar ao juiz uma multa caso os medidas para a reciclagem de 100% do lixo e educação ambiental não sejam adotadas'', ressalta.
A promotora deu prazo de 30 dias para que relatórios sejam encaminhados para o MP, formalizando os compromissos entre as entidades que estão engajadas na resolução do problema.
Márcia Eiras, representante da comissão especial para questão do lixo, criada pela Associação de Moradores da Região Central, reforçou que o problema do lixo é antigo. ''Passaram três, quatro prefeitos e ninguém fez nada'', criticou. Segundo ela, catadores de material reciclável mexem nos sacos de lixo depositados nas lixeiras do centro da cidade no meio da tarde.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, argumenta que a CMTU já fez alterações na coleta de lixo. ''Acrescentamos uma linha especial, piloto, apenas para a coleta de material orgânico proveniente dos restaurantes e antecipamos o horário que o caminhão passa recolhendo o lixo'', enumera. Campos argumenta que a CMTU tomou mais medidas porque esperava o resultado de uma pesquisa de opinião, desenvolvida pela Acil, sobre a coleta do lixo no centro. A pesquisa foi entregue à CMTU na última quinta-feira.
A pesquisa da Acil foi realizada neste mês, quando 221 pessoas foram consultadas. Entre os dados levantados pela pesquisa, os entrevistados apontaram que a coleta seletiva realizada no centro é ineficiente e que um horário deveria ser fixado para retirada do lixo. Os entrevistados pediram ainda fiscalização e multa para quem descumprir as regras.
Campos explica que o centro é a única região da cidade onde as organizações não-governamentais (ONGs) formadas por recicladores ainda não atuam. ''Nas ruas centrais são catadores de lixo individuais que atuam. Por vezes eles mexem no lixo e acabam deixando materiais expalhados gerando problemas'', avalia. Segundo ele, 31 pessoas já estão cadastradas para formar uma ONG nessa região. A CMTU estima que pelo menos 70 pessoas trabalhem recolhendo materiais reciclados no Centro.
Campos disse que ainda não conseguiu analisar toda a pesquisa, mas que irá estudar propostas para melhorar a situação na região. Uma nova reunião entre as entidades e o MP será marcada na próxima semana.

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