MP afasta agentes denunciados por gerente
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quinta-feira, 10 de julho de 2003
Marta MedeirosEquipe da Folha 
Maringá - O coordenador da Promotoria de Investigação Criminal (PIC) de Curitiba, Ramatis Fávero, afastou ontem três policiais civis do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco). Desde terça-feira, o grupo, que faz parte da polícia reservada da PIC, está em Maringá para uma operação de fiscalização em desmanches de veículos. Os policiais foram denunciados pelo dono de uma boate strip-tease da cidade por atos de violência e de terem consumido cerca de R$ 200,00 em bebidas alcóolicas sem pagar a conta.
Segundo Fávero, a desligação sumária dos policiais antes da conclusão do procedimento administrativo se deve ao fato da promotoria ter confirmado a presença dos três na boate em pleno serviço. Os policiais teriam usado as armas e uma viatura descaracterizada para ir ao local. Conforme Fávero, ainda que o procedimento administrativo considere as denúncias inverídicas, a presença dos policiais em uma boate ''não condiz com a conduta moral e ética'' dos profissionais em atividade no Gerco. A PIC não informou os nomes dos policiais envolvidos.
O coordenador informou ainda que, além do procedimento administrativo, os três policiais podem ser processados por crimes como o de abuso de autoridade. A denúncia contra o Gerco partiu do gerente proprietário da Mansão de Pedra, Paulo Antonio Fogaça, que relatou agressão por parte de um dos policiais e ameaça com armas a seus funcionários.
A operação desencadeada pela PIC, por meio de mandados judiciais de busca e apreensão, mostra a existência na cidade de um centro distribuidor ilegal de auto-peças. Para o coordenador da operação, promotor Pedro Carvalho Santos Assinger, o número de prisões e a grande quantidade de peças apreendidas até ontem, levam a entender também, que a Polícia Civil, um dos órgãos responsáveis, não vem fiscalizando o setor na cidade.
O delegado-chefe da 9 Subdivisão Policial (SDP) de Maringá, Rogério Lopes, não foi localizado ontem pela Folha para falar sobre o assunto. Conforme assessores, o delegado só deve se pronunciar hoje com a imprensa. Assinger declarou que a PC não foi informada da operação porque o sigilo fazia parte do sucesso do trabalho da PIC.
Até o final da tarde de ontem, a promotoria havia cumprido mais sete mandados em empresas, totalizando 26 desde o início da operação. Dez pessoas, a maioria proprietários, foram presos em flagrante por crimes de adulteração de sinais em veículos e em alguns casos também por receptação qualificada.


