O Ministério Público de Guarapuava confirmou ontem que pelo menos três crianças foram adotadas ilegalmente com a ajuda da freira Anilse Terezinha Bianchini, 58 anos, presa desde domingo acusada de tráfico de crianças, tortura, coação de testemunhas, ameaças e falsificação de documentos. Outros 70 casos de adoções estão sendo investigados, inclusive com envio de crianças para o exterior.
Ontem, a freira apresentou problemas de saúde e foi encaminhada a um hospital da cidade, onde continua presa sob escolta policial. O médico Edson Carlos Crema disse que ela apresenta problemas circulatórios na perna esquerda, que está inflamada, e também alterações na pressão arterial. O médico informou que a freira será submetida a vários exames e deverá permanecer hospitalizada pelo menos até o final de semana.
De acordo com o promotor Humberto Eduardo Pucinelli, já está comprovada a participação da freira na adoção irregular de duas meninas e um menino, que hoje vivem em Guarapuava, Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul. Apenas a criança que mora no Rio Grande do Sul ainda não foi localizada pela Justiça.
‘‘Agora já temos o objeto de nossa denúncia comprovado. Vamos solicitar que a Vara da Infância e da Juventude averigue a situação dessas crianças para sabermos se elas têm condições de permanecerem com seus respectivos pais adotivos’’, disse. O promotor informou que as criancas foram adotadas entre 1995 e 2001 e eram todas recém-nascidas. Segundo ele, a freira confessou a participação no crime e alegou que queria apenas ser solidária com casais que não podem ter filhos.
A suspeita de que crianças podem ter sido enviadas ao exterior, mais especificamente para a França e Itália, com o auxílio da freira, foi levantada pelo MP através de depoimento de funcionários da Creche Santa Terezinha, onde a religiosa trabalhou durante nove anos, e de mães que tiveram os filhos adotados. O promotor vai encaminhar cópias do processo ao Ministério Público Federal para que seja investigada a denúncia de tráfico internacional de crianças.
Nos depoimentos, os denunciantes afirmaram que a freira prometia emprego, assistência médica e financeira em troca das crianças. A promotoria também apurou que a freira recebeu dinheiro dos candidatos a pais adotivos para custear as despesas com a criança a ser adotada.
Além do tráfico de crianças, o MP também comprovou que a religiosa cometia tortura física e psicológica contra crianças. Anilse estava sendo investigada pelo MP desde maio, quando foi denunciada por funcionários da creche de ter omitido socorro a uma criança acidentada. Ela teve o sigilo telefônico quebrado pela Justiça. O advogado Miguel Nicolau Junior ingressou na 1ª Vara Criminal com pedido de revogação da prisão dela.

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