Movimentos denunciam violência
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Movimentos sociais encaminharam, ontem, um documento para órgãos nacionais e internacionais, inclusive a Organização das Nações Unidas (ONU), denunciando a ação violenta e omissão de entidades competentes no despejo, dia 22 de outubro, de 1,5 mil famílias de um terreno ocupado no Fazendinha. Cerca de 400 famílias permanecem na região, ocupando espaços vizinhos à área.
Segundo Maria das Graças Silva de Souza, coordenadora da União Nacional de Moradia Popular (UNMP), houve omissão das autoridades na ação de reitegração de posse. De acordo com Dinalva, representante das 400 famílias que continuam na região, as demais famílias foram para albergues, igrejas ou casas de parentes. Ela conta que os ocupantes têm recebidos ameaças de policiais militares para deixar o local.
Segundo o assessor jurídico da organização não-governamental (ONG) Terra de Direitos, Vinícius Gessolo, Curitiba está sendo requisitada internacionalmente a dar respostas sobre as práticas de despejos forçados. A ONU enviou uma comissão de especialistas em despejo forçado em 2005 para investigar ações violentas. Fizeram duas recomendações: a assinatura do termo Cidade livre de despejos e a criação de um grupo de trabalho permanente para mediação de conflitos fundiários. Em junho, a comissão mandou o pedido de respostas, perguntando por que o município manteve a prática dos despejos forçados e por que não existe a sugestão de mediações e políticas públicas alternativas, explica.
A Secretaria da Segurança Pública informou que todas essas questões estão sendo investigadas no inquérito policial militar já aberto. A Prefeitura de Curitiba informou que procurou negociar com as famílias, mas não teria competência para intervir na reintegração de posse. Sobre o documento da ONU, a assessoria ficou de responder a reportagem, mas até o fechamento da edição não havia se manifestado.
No fim de semana, PMs da reserva distribuíram à imprensa, políticos e a autoridades, uma nota de repúdio à atitude do secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, informando que ele interferiu de forma equivocada na hierarquia da corporação porque não teria autonomia para tomar decisões de caráter administrativo na PM.


