Londrina

Mário CésarDe olho no futuroWalmor Weiss, em pé, na reunião de ontem: ‘Temos que pensar já no aeroporto de daqui a 10 anos’Inaugurado na década de 50, o aeroporto de Londrina - que na época do café foi considerado o terceiro mais movimentado do País, e é o segundo do Estado em pousos e decolagens, mas mantém a estrutura acanhada de décadas passadas - acaba de ganhar aliados. Ontem pela manhã, durante reunião convocada pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), foi criado o Movimento Permanente de Apoio à Ampliação do Aeroporto.
Formado por representantes de entidades de classe, clubes de serviço e poder público, o Movimento Permanente surge com a finalidade de ‘‘socorrer’’ o aeroporto, que necessita de uma ampliação urgente. A principal delas é o aumento da pista de pousos e decolagens em 300 metros quadrados. A obra exige a desapropriação de áreas próximas.
Relato feito pelo superintendente da Infraero em Londrina, Lourival Briana, responsável pela administração do aeroporto, deixou clara a preocupação com a falta de infra-estrutrura. ‘‘A área aeroportuária está espremida’’, disse Briana. ‘‘Estamos preocupados porque precisamos da faixa de 150 metros de recuo pelas laterais da pista para operar com segurança.’’
Convênio firmado em agosto do ano passado entre Prefeitura e Infraero previa, entre outras medidas, a ampliação da pista. O gasto projetado para execução de todas as medidas foi de R$ 9.470.000,00. O acordo previa que metade do valor seria disponibilizado pela Infraero e o restante pela Prefeitura, encarregada pela desapropriação de áreas próximas ao aeroporto.
A Infraero vem cumprindo sua parte no convênio. Segundo informou o superintendente Lourival Briana, no próximo dia 17 será inaugurado o estacionamento com capacidade para cerca de 200 vagas. Até o final deste mês, disse Briana, deverá ser iniciado o projeto de ampliação do terminal de passageiros, que passará dos atuais 1.900 metros quadrados para 5.000 metros quadrados. A ampliação do estacionamento e do terminal de passageiros estão previstos no convênio firmado com a Prefeitura.
Como a Prefeitura alega não ter os recursos disponíveis para desapropriar a área de 10 alqueires na cabeceira da pista, os integrantes do Movimento Permanente de Apoio à Ampliação do Aeroporto esperam sensibilizar o Governo do Estado. ‘‘Vamos ajudar a Prefeitura a cumprir o acordo. Vamos buscar os recursos para que o aeroporto tenha condições de operar com segurança’’, disse o vice-presidente da Fiep, Walmor Weiss, também integrante do Movimento Pró-Expansão dos Aeroportos do Paraná.
Apostando na importância do município e na força política da região, Walmor Weiss assegura que o Governo do Estado não deixará de investir na ‘‘capital do Norte’’.
Ele contou que já foram mantidos contatos com vários secretários e com a vice-governadora Emília Belinati, no sentido de vializar os recursos que a Prefeitura não dispõe para as desapropriações. ‘‘Essa é uma questão emergencial’’, define Weiss.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Abílio Medeiros, lembrou que durante as comemorações do aniversário da entidade, que completou 60 anos em junho, o governador Jaime Lerner assumiu o compromisso com a ampliação do aeroporto de Londrina.
Destacando o interesse que o Governo do Estado tem em investir no interior, Walmor Weiss informou que já estão garantidos R$ 500 mil - verba da Secretaria estadual dos Transportes, prevista no orçamento de 1998 - que serão empregados para elaboração do plano diretor do novo aeroporto de Londrina.
A construção do novo aeroporto, estima Walmor Weiss, deve custar cerca de U$ 2 milhões. ‘‘Temos que começar a pensar já no aeroporto que entrará em funcionamento daqui a 10 anos.’’
A área do novo aeroporto já está prevista no Plano Diretor de Londrina. Segundo o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Mário Stamm Júnior, o aeroporto que deve entrar em operação em 2008 terá uma área de 4 milhões de metros quadrados, localizada na Gleba Três Bocas, próxima ao patrimônio Espírito Santo, zona sul.
‘‘Essa área precisa ser preservada’’, avisa o chefe do Departamento Hidro-Aero-Ferroviário da Secretaria de Transportes, Germano Valença Monteiro Júnior. Ele lembra que a falta de planejamento criou um sério problema para o município de Cascavel, que obteve a liberação dos recursos para a construção do aeroporto. ‘‘Só que, como a área não foi preservada, agora o município terá que encontrar outro local e fazer um novo projeto’’, disse Monteiro.

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