Movimento pede reabertura do CATV
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quarta-feira, 16 de abril de 1997
Luciane Tonon Correspondente 
Eduardo CintraQueixaSem o CATV, bóias-frias deixam de receber 1.200 refeições por diaSERTANEJA - A Câmara de Vereadores de Sertaneja (27 quilômetros ao norte de Cornélio Procópio) e trabalhadores rurais do município organizaram ontem um abaixo-assinado para a reativação do Centro de Apoio ao Trabalhador Volante (CATV), que está parado há quatro meses. O centro foi desativado pelo prefeito Renato Tavares (PSDB). Os vereadores aprovaram por unanimidade um requerimento pedindo explicações sobre o fechamento do CATV.
Sertaneja foi a primeira cidade do País a ter um centro do gênero, que chegou a ser copiado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Com uma estrutura de 530 metros quadrados, o CATV abriga uma vaca mecânica com capacidade para 250 litros/hora; uma padaria municipal com capacidade de produção de até 4 mil pães por dia; um pastifício, que produz 17 tipos diferentes de macarrão; 17 sanitários para os trabalhadores volantes e uma creche. Ao todo, 1.200 trabalhadores rurais recebiam pão e leite diariamente.
O CATV é um motivo de orgulho para Sertaneja, serviu de modelo para outros municípios e até para outros países, e não pode ficar desativado, afirmou o presidente da Câmara, Nilton de Oliveira (PMDB). Ele alega dificuldade financeira, mas está comprando pão e leite de padarias particulares, que custa mais caro.
O presidente da Câmara alega que o custo de produção da padaria municipal e da vaca mecânica é irrisório - cerca de R$ 0,12 por litro de leite e R$ 0,03 por pãozinho. Para particulares a prefeitura paga R$ 0,58 o litro de leite e R$ 0,12 o pão.
O prefeito disse ontem à Folha que o CATV é uma farsa e só funciona no papel. Ele afirmou que diariamente eram jogados fora centenas de litros de leite. Ninguém gosta de beber leite de soja. Vaca mecânica não funciona em lugar nenhum. Quanto à padaria, Tavares disse que produzia pão em excesso e havia muito desperdício. Simplesmente eu quis diminuir os gastos.
De acordo com Tavares, a verba destinada ao Centro de Apoio está sendo utilizada para a merenda escolar. Ela (a merenda) foi municipalizada mas o governo não manda a verba.
O prefeito afirmou que pretende reativar o centro assim que a prefeitura receber a verba da merenda escolar. Entre deixar as crianças das creches sem alimentação, optei em fechar a padaria.
O ex-prefeito e idealizador do CATV, Sérgio Tizziani, chama a atitude do prefeito atual de vingança política. Segundo ele, foi constatado que as padarias particulares não tiveram prejuízos com a instalação da padaria municipal.
Quando constatamos um consumo de 35 mil pães ao mês na padaria municipal, em abril do ano passado, fizemos a pesquisa nas padarias particulares e percebemos que cerca de mil pessoas, que não são fregueses de padarias, deixavam de comer um pão por dia. Este é um dado muito triste, contou Tizziani.
Tenho quatro crianças e todos os dias levava pão e leite para eles. Agora pra comprar fica difícil, lamenta o bóia-fria Ademar Paulino, 39 anos. Quando algum político volta os olhos para os trabalhadores rurais, vem outro e fecha, comenta a bóia-fria Kleide Maria de Sá, 31 anos.


