O secretário nacional de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, José Gregório, recebeu ontem a Carta de Lages (SC), elaborada pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos da Região Sul, que engloba os estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pedindo a interferência do Ministério no combate ao tráfico de drogas na fronteira entre Brasil e Paraguai e a exploração infantil. O Ministério prometeu ação policial para combater o tráfico.
A decisão do Movimento Nacional de Direitos Humanos partiu depois que a Folha revelou a atuação de crianças com idade entre sete e 12 anos - armadas com revólveres e pistolas - trabalhando para traficantes nas favelas de Foz do Iguaçu.
Essas crianças, conforme revelou a reportagem, vendem drogas nas favelas Monsenhor Guilherme, Marinha e Guarda-Mirim e recebem comissões de traficantes. A maioria desses meninos é usuária do crack e usa a comissão, segundo eles, para sustentar o próprio vício.
A Carta de Lages, redigida durante o Fórum de Debates dos Direitos Humanos, cita a reportagem da Folha. O presidente do Centro de Direitos Humanos de Foz do Iguaçu e secretário geral do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Romeu Olmar Klich, afirma que as crianças que trabalham como ‘‘avião’’ (intermediário entre o usuário e traficante) nas bocas de favelas, são exploradas por traficantes.
O documento repudia a falta de controle do tráfico de drogas na fronteira e reivindicando combate eficaz na atividade desenvolvida por menores. A assessoria do secretário José Gregori informou que ele deve se pronunciar sobre o assunto nos próximos dias. No entanto, adiantou que ele estaria preocupado com as crianças que estão sendo usadas por traficantes e que pode pedir um plano de ação para a Polícia Federal.
‘‘Nós estamos requerendo iniciativas sérias, e não meramente retóricas, para o combate ao tráfico de drogas na região e especialmente no que toca a trágica exploração de crianças na atividade criminosa’’, afirma Klich.
Ainda ontem, o promotor da Infância e Adolescência de Foz do Iguaçu, Ourival dos Santos Filho, disse que está preocupado com o tráfico de drogas na fronteira envolvendo adolescente. ‘‘Nos próximos dias deve haver uma ação em conjunta que está sendo desenvolvida por vários órgãos, entre eles as polícias civil e militar, além de Conselho Tutelar, Ministério Público e escolas estaduais’’, disse o promotor.
Proteção O Movimento Nacional de Direitos Humanos enviou ainda um documento ao Ministério da Justiça solicitando a proteção dos jornalistas da Folha que revelaram a venda de drogas na fronteira e a exploração de crianças nesse ‘‘trabalho’’. O pedido foi protocolado na secretaria nacional de Direitos Humanos do Ministério.

mockup