Movimento negro luta contra discriminação
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sábado, 24 de março de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
''Todos somos diferentes, mas a raça humana é uma só.'' Essa frase, escrita em uma faixa na entrada do Centro Cultural Axé Brasil, que fica no Jardim Maringá (Zona Oeste), pode ser considerada a síntese do 1º Festival da Igualdade Racial de Londrina, que foi realizado na tarde de ontem, e complementou a comemoração do dia internacional contra a discriminação racial, celebrado no último dia 21 de março.
De acordo com Idalto José de Almeida, militante do movimento negro de Londrina há 25 anos e coordenador do evento, o objetivo do festival é transmitir uma mensagem de celebração da diversidade racial. ''Queremos reunir as várias etnias que compõem a população londrinense e, na minha opinião, convivem de forma saudável. O próprio hino da cidade faz referência a isso, quando diz que Londrina é uma cidade de braços abertos a todos os povos. A nossa mensagem é de viva a diversidade'', explicou.
O festival começou depois das 12 horas, com uma feijoada e teve ainda roda de samba e apresentação do grupo de tambores japoneses, o taiko, da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel).
A feijoada foi escolhida por ser considerada como um prato nascido no Brasil, mas inventado pelos primeiros africanos que chegaram, escravizados, ao País. Quem conta a história é Vilma Santos de Oliveira, também militante do Movimento Negro de Londrina. ''Por serem escravos, os negros recebiam as partes menos nobres da carne do porco, como os miúdos e as víceras. Resolveram cozinhar tudo isso com o feijão para ter algo que sustentasse e acabaram criando esse prato que tornou-se referência de comida típica brasileira.''
Para a estudante de ciências sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Naiane Lima Santos, o dia de ontem deve ficar marcado para o movimento negro de Londrina, pois ela considera que a cidade ainda tem muito o que evoluir quando o assunto é igualdade racial.
Vinda de São Paulo, a maior cidade do País, para estudar em Londrina, ela opina que ainda existe muito preconceito e, principalmente, uma segregação espacial do negro por aqui. ''Diferente de São Paulo, em Londrina, a periferia, que é onde estão os negros, fica muito distante dos bairros mais ricos e isso acaba gerando uma segregação'', finaliza.


