Movimento negro contesta propaganda sobre Aids A última propaganda do Ministério da Saúde de conscientização sobre a Aids também causa polêmica no Paraná. Entidades de combate ao racismo no Estado enviaram um manifesto ao ministério e estão interpelando o orgão judicialmente para retirar o ‘spot’ da campanha do ar. As entidades classificaram a campanha como ‘‘racista’’, uma vez que ‘‘reforça a forma preconceituosa e excludente como negros e negras são tratados em nosso País’’. Na propaganda, uma atriz negra relata que foi infectada pelo vírus da Aids e faz um alerta a quem tenha ficado com ela para que faça um exame, porque ela não sabe se pegou ou se passou a doença. ‘‘A propaganda mostra a imagem distorcida que se tem sobre as pessoas de origem africana, mais especificamente a mulher. Já existe um preconceito que diz que a negra só sabe sambar, que tem hábitos promíscuos. A propaganda só vem reforçar esta idéia, quando ela fala que não sabe se pegou Aids ou se passou a doença’’, diz Almira Maciel. Ela reclama que o movimento negro sempre reivindicou visibilidade, com espaço nos meios de comunicação compatível com a sua presença no País. O problema, segundo ela, é que a imagem dos negros nos anúncios sempre tem uma conotação diferente da imagem dos brancos, que são mostrados com beleza e docilidade. Além do MNU e Comissão de Sindicalistas, também assinam o manifesto enviado ao Ministério a Comissão Estadual de Combate ao Racismo do PT e Associação Cultural de Consciência do Movimento Negro (Acnap). A polêmica sobre a propaganda de prevenção à Aids veio à tona já no dia 25 de fevereiro, durante o lançamento nacional da campanha, mas tomou dimensões maiores nos útlimos dias, com o ingresso na Justiça de ações contra o ministro da Saúde, José Serra, por racismo, e pedidos para que a propaganda seja retirada do ar. Negativa A Master, agência que criou a peça publicitária, nega o racismo. ‘‘Todo Carnaval é a mesma coisa’’, diz Pedro Arlant Neto, diretor da empresa. Segundo ele, a proposta da agência foi utilizar uma mulher ‘‘com a cara’’ da maioria das mulheres brasileiras, capaz de fazer com que o público se identificasse e aceitasse a mensagem da publicidade. Entre cerca de 30 atrizes, foram selecionadas, inicialmente dez. ‘‘Esta mulher podia ser branca de cabelos e olhos escuros, mestiça, negra, não importava’’, diz Arlant. A peça foi imediatamente aprovada pelo Ministério da Saúde, que a considerou ótima porque as mulheres negras estão entre o grupo em que a Aids mais está aumentando, ou seja, entre mulheres, jovens e população de baixa renda. Arlant também contesta as afirmações de que a personagem apresenta-se como uma pessoa ‘‘vulgar’’, ‘‘promíscua’’ ou como ‘‘ prostituta’’, como alegam as entidades anti-racismo. ‘‘É só uma mulher comum, que foi irresponsável ao fazer sexo sem camisinha, e é isso o que as pessoas precisam saber: que têm que usar camisinha, que não dá para ser irresponsável sob risco de pegar a doença’’. O diretor da Master lembra, ainda, que nos últimos quatro anos, as propagandas sobre Aids utilizaram só mulheres brancas, e nunca houve reclamações sobre isto. As polêmicas, entretanto, sempre aconteceram.

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