Movimento nega ocupação da Fazenda Mitacoré
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
A coordenação estadual do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem-terra (MST) negou ontem a ocupação da Fazenda Mitacoré, entre os municípios de São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu (Extremo Oeste do Estado). Porém, a assessoria de imprensa da entidade admite que a área de 300 metros quadrados, onde foi improvisado um campo de futebol, pode ter sido invadida por um grupo isolado do movimento.
Ontem, a administração da fazenda informou que os sem-terra recuaram e saíram da pequena área onde foi improvisado o campo. Segundo os funcionários, as famílias permanecem nas margens da BR-277, de domínio do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).
A fazenda, que pertence a Bamerindus S.A., Participações e Empreendimentos, holding do Bamerindus, está sob intervenção do Banco Central (BC). Segundo a administração, os sem-terra estão acampados numa área distante da sede da fazenda.
O assistente de intervenção do BC, Marco Belém, confirmou que os invasores entraram numa parte da fazenda, arrancaram parte da plantação de aveia e cortaram várias árvores que estavam em uma área de preservação. Segundo ele, a diretoria interventora notificou o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) sobre a devastação e deu entrada no pedido de interdito probitório no Tribunal de Justiça para impedir que a fazenda seja invadida.
A assessoria de imprensa do MST informou que não há intenção de ocupar a fazenda e que há um prazo dado ao Incra, que vence amanhã, para suspender as invasões. A estratégia não é ocupar a fazenda agora, mas ela está sujeita a ocupação porque pertence ao Banco Central e não deve haver problemas. O BC não tem função de gerenciar fazendas, diz a assessoria do MST.


