Movimento feminino pede paz no campo
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domingo, 22 de fevereiro de 1998
Marcos Zanatta 
Marcos ZanattaSem conflitosCerca de 300 pessoas participaram das orações pela paz no campo ontem em LoandaO Movimento Feminino pela Paz no Campo reuniu ontem cerca de 300 pessoas no ginásio de esportes de Loanda (88 quilômetros de Paranavaí), para pedir o fim das ocupações de propriedades agrícolas na região. Formado por grupos de religiosos, o movimento quer ser a voz da sociedade em defesa da reforma agrária sem conflitos. Nosso objetivo é orar para que as autoridades consigam acabar com o clima de confronto criado em toda a região, disse a dentista Maria Lúcia Barbosa Fonseca, uma das coordenadoras do movimento.
Ela diz que apesar da iniciativa de orar pelo fim da violência ter nascido em Loanda, já conta com simpatizantes em praticamente todos os municípios do Noroeste, onde o problema é maior. Hoje o governo tenta negociar com os lados envolvidos diretamente na questão dos sem-terra, e acaba esquecendo da comunidade, diz a professora Cleusa Macedo Scaliente, também coordenadora do movimento. Ela explica que a intenção é defender uma reforma agrária municipalizada, sem ocupações e violência.
O presidente do Conselho Municipal de Segurança de Loanda, Napoleão Augusto Chiamulera, explica que o movimento das mulheres começou depois do protesto dos sem-terra contra o Bradesco, no dia 13 de fevereiro. Eles fecharam algumas ruas e lojas, hastearam a bandeira do MST na praça pública e não respeitaram nada, lembra Chiamulera. O comportamento deles mostra que estão acima das leis, e isso acaba preocupando toda a sociedade, diz. Na região Noroeste são 48 áreas ocupadas pelos sem-terra, mais da metade com reintegração de posse a ser cumprida pela Justiça.
Água amarela O MST de Paranacity confirmou ontem que espera mais famílias, provenientes inclusive do Pontal do Paranapanema (SP), para aumentar o acampamento na fazenda Água Amarela, em Jardim Olinda (90 quilômetros de Paranavaí). A propriedade foi reocupada na madrugada de sábado por 120 famílias, que tinham sido retiradas da área pela Polícia Militar na quinta-feira. A retomada da fazenda, segundo os coordenadores do MST na região, é uma retaliação contra a ordem do governo em retirar os acampados da área, e também para pressionar a liberdade dos seis sem-terras presos durante a operação da desocupação.


