Curitiba - Moradores de Mandirituba e Fazenda Rio Grande estão pedindo que as prefeituras locais realizem um plebiscito para saber se a população quer ou não a instalação de um aterro planejado para abrigar lixo de seis municípios da Região Metropolitana de Curitiba. A proposta foi feita ontem pela manhã durante um ato público em Mandirituba contra a instalação do aterro. Vereadores que participaram do protesto prometem apresentar nas câmaras proposta de realização do plebiscito.
O Consórcio do Lixo, como as prefeituras estão chamando a unificação da coleta e destinação dos dejetos das seis cidades, está em processo de licitação. Duas empresas concorrem, a Cavo, que já realiza a coleta em Curitiba, e a Enterpa. A entrega das propostas técnicas e de tarifas está marcada para o dia 1º de julho. A Cavo já adquiriu um terreno no total de 85 alqueires, em Mandirituba, razão do protesto realizado ontem pela manhã que reuniu representantes de várias associações, sindicatos e partidos políticos.
O Fórum Permanente pela Ética e Cidadania de Mandirituba e Fazenda Rio Grande, que coordenou o protesto, afirma que o aterro prejudicaria o meio ambiente. ‘‘Na região existem três rios, o Maurício, o dos Patos e o Despiques, que são reservas de água potável para toda a região. A instalação do aterro neste local pode comprometer o futuro da água de Curitiba’’, afirma o advogado e jornalista Cláudio Ribeiro, coordenador do fórum.
O diretor da Cavo em Curitiba, Merlino Prestes Junior, confirma que a empresa fará o aterro independente do resultado da licitação e que ele não agredirá o meio ambiente nem colocará em risco a bacia hidrográfica. ‘‘O consórcio reúne apenas seis municípios e em torno de Curitiba existem 25’’, afirma Prestes Junior. ‘‘Usaremos uma nova tecnologia européia, que trata o chorume (líquido resultante da decomposição do lixo) não em lagoas, como é feito atualmente, mas com um evaporador’’, explica. Por esta técnica, o chorume tem sua parte líquida evaporada e a parte sólida resultante é devolvida para o aterro.
O diretor da Cavo afirma que a empresa já tem a autorização do prefeito Luiz Carlos Chimin Claudino (PPB) para funcionar em Mandirituba. Restaria apenas a aprovação do estudo de impacto ambiental, o EIA-Rima, a ser dado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Antes, uma audiência pública no dia 26 de junho para que todas as partes apresentem suas argumentações e documentos contra ou a favor do aterro.

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