A Fazenda Água do Bugre, que também foi desocupada pela Polícia Militar na semana passada, é a própria imagem do abandono e destruição. A casa sede da área foi parcialmente destruída. Janelas viraram portas, assoalhos foram retirados, telhas danificadas e portas arrancadas. A destruição na casa sede da fazenda impressiona, assim como chama atenção o abandono da propriedade. Enquanto a Folha esteve no local, na última sexta-feira, apenas um funcionário que confirmou ter sido contratado para ficar na área depois da desocupação se apresentou para a reportagem.
O proprietário da Fazenda Rio Novo, Turi Pagano, também não estava na área na última sexta-feira. Mesmo sem a presença dos fazendeiros a Polícia Militar continuava o serviço de vigilância nas porteiras das sete áreas desocupadas. Grupos de até 10 policiais permanecem nas imediações de cada fazenda reintegrada.
Na última sexta-feira, por causa do protesto do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra ocorrido em Querência do Norte, 160 policiais militares se revezavam na guarda das sete propriedades rurais reintegradas na região. Em algumas áreas, os policiais chegavam a ficar na sede das propriedades. De acordo com o major do 8º Batalhão da Polícia Militar de Paranavaí, José Rigoni Filho, os policiais ficam na área para impedir que os sem-terra retornem às fazendas. Segundo ele, existem na região cerca de 20 propriedades invadidas por sem-terra e o comando da PM em Paranavaí aguarda nova decisão do governo do Estado e novo reforço policial para fazer o restante das desocupações.
De acordo com a diretoria da União Democrática Ruralista (UDR), regional de Paranavaí, existem na região de Querência do Norte 21 propriedades para serem reintegradas. A estimativa da UDR e da PM é de que vivam nos acampamentos cerca de 2 mil trabalhadores sem-terra. Boa parte deles, conforme a direção da UDR, é de pessoas que já estão em áreas assentadas, mas se deslocam para os acampamentos para dar maior suporte às invasões.
Por conta das últimas publicações na imprensa, inclusive da apreensão de produtos que teriam sido roubados da Fazenda Transval pelo sem-terra Alfredo Avelino da Silva, divulgado na semana passada, os trabalhadores rurais sem-terra evitam dar novas declarações para os jornalistas. A Cooperativa do MST instalada em Querência do Norte permaneceu fechada na última sexta-feira e mesmo na praça central da cidade, onde estavam concentrados os trabalhadores sem-terra antes do protesto, nenhuma liderança do MST foi encontrada pela Folha para comentar as acusações dos fazendeiros. (L.P.)

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