Movimento esquece de fé e caridade, diz bispo
O movimento carismático está presente tanto nas igrejas católicas quanto nas pentecostais. Existe desde o surgimento das primeiras comunidades cristãs, segundo o padre José Amauri de Aviz, assessor eclesiástico arquidiocesano para o Movimento Renovação Carismática de Curitiba. Nos últimos anos deu nova cara à Igreja Católica. Foi bem aceito, mas também não escapou de ser alvo de duras críticas, até mesmo da própria Igreja.
D. Ladislau Biernaski, bispo-auxiliar da Arquidiocese de Curitiba, considera normal o sucesso alcançado pelos carismáticos. Em certos momentos da história, uma tendência está mais à frente do que outra, comenta. Mesmo assim ele não considera que o movimento seja passageiro. Mas de uma coisa Biernaski discorda: da forma de agir de alguns grupos carismáticos. Segundo ele, essas pessoas lutam de modo indireto pela defesa da comunidade. Os católicos devem ter fé, celebrar e viver a caridade, e é nessa última regra que alguns falham, diz.
Para o bispo-auxiliar, os carismáticos são fortes para celebrar missas, reunindo milhares de pessoas, mas não usam a partilha de bens. Ele cita como exemplo o padre Marcelo Rossi, chamado recentemente de Xuxa da Igreja pelo teólogo Leonardo Boff. Criação da mídia, de acordo com Boff, o padre não fala de reforma agrária ou da pobreza da maioria da população, por exemplo.
Mas o padre José Aviz não concorda com as críticas. Para ele, Marcelo Rossi veio para arrebanhar fiéis. Como participa de um movimento de massa, estaria fazendo com que alguns padres temessem seu poder. As críticas se originam de pontos de vistas teológicos, de eclesiologias, comenta. Para Aviz não há motivos para preconceitos em torno das missas carismáticas. Afinal, segundo ele, a liturgia é a mesma das celebrações tradicionais, mudando apenas a forma de aplicá-la.
Padre Aviz acredita que o sucesso dos carismáticos é um sinal dos novos tempos. A Igreja Católica, nos últimos 30 anos, tem dado uma reviravolta. Para o povo esses movimentos novos são expressões vivas, e o de renovação carismática é o mais expontâneo, vibrante e de grande penetração popular, diz.
A renovação carismática faz parte de um movimento internacional que combina muito com a alegria do povo brasileiro, segundo o assesor eclesiástico. Já D. Ladislau acredita que o movimento cativa apenas as pessoas que vivem mais o emocional do que o racional.





