Valmir Denardin
Enviado a São Miguel do Iguaçu
A chuva que caiu nos últimos três dias no Extremo-Oeste do Estado não foi suficiente para alterar o cenário de deserto nas oito praias artificiais da margem paranaense do Lago de Itaipu. O volume do reservatório está 4,5 metros abaixo do normal, devido a uma operação iniciada em novembro pela hidrelétrica para aumentar em 12%, em média, a produção de energia e socorrer as demais usinas das regiões Sudeste/Centro-Oeste, mais afetadas pela seca.
Nas praias lacustres, a maior consequência foi o afastamento da água da faixa de areia tradicional. Em alguns pontos, o visitante precisa caminhar mais de 100 metros para se banhar. Além disso, o trajeto é cheio de obstáculos: lama, depressões, pedras e terra seca rachada.
A previsão do governo estadual era de que 500 mil turistas visitassem as oito praias na temporada. Com o rebaixamento do lago, as prefeituras refizeram os cálculos e estimam que o número ficará 70% abaixo da expectativa. Antes lotadas de banhistas em janeiro – metade paraguaios e argentinos – os balneários estão vazios.
Uma exceção parcial é a praia de São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu). Graças a um piscinão construído pela prefeitura e que é abastecido com água captada em manancias nas proximidades, o terminal turístico consegue manter parte do movimento.
Ontem, havia 50 barracas de turistas acampados no local. Na temporada passada, esse número era de 150 barracas, em média. Jovencino Rodrigues, dono de um restaurante na praia, disse que essa é a pior temporada nos seis anos em que ele mantém negócio no local. ‘‘Não estou fazendo nem para as despesas’’, afirmou Rodrigues.
Devido à queda do movimento nas praias do lago, a Secretaria de Estado da Cultura cancelou as apresentações do Comboio Cultural previstas para janeiro na região. O programa é formada por sete ônibus, que percorrem o Estado com apresentações artísticas. Duas dessas trupes – teatro infantil e música erudita – percorreriam o circuito das praias de água doce.
A assessoria da Itaipu Binacional informou que o nível do lago subiu 7 centímetros entre anteontem e ontem, em decorrência das chuvas acima da hidrelétrica. Na próxima semana, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vai avaliar se o rebaixamento do Lago de Itaipu para aumentar a produção de energia poderá ser suspenso.