A queda nos termômetros em Londrina, que registraram ontem temperatura mínima de 7 graus, pegou de surpresa os desabrigados e pessoas que estão na cidade de passagem. As três entidades da cidade que prestam assistência a estas pessoas se preparavam ontem para dias de muito trabalho. Uma preocupação era unânime entre os funcionários da Casa do Bom Samaritano, do Albergue Noturno e do Serviço de Obras Sociais (SOS): pode faltar agasalho para aquecer todos os carentes.
A Casa do Bom Samaritano, na Rua José Fierli, Parque Bom Retiro (área central), recebeu na noite de anteontem 45 pessoas trazidas pela Polícia Militar ou que vieram por conta própria. Para a noite de ontem, a expectativa era que o número subisse ainda mais, segundo o coordenador da entidade, Thirso Canella. A casa tem capacidade para abrigar 100 pessoas (70 homens e 30 mulheres e crianças)
O número de hóspedes poderia ser maior na noite de terça-feira se a Operação Noite Fria, realizada anos anteriores pela Prefeitura de Londrina, estivesse funcionando. O trabalho – feito pelos funcionários da Secretaria de Ação Social e responsável pelo encaminhamento de pessoas sem local para dormir nas noites de inverno – está suspenso este ano. O problema é a falta de dinheiro. A prefeitura justifica que não tem R$ 6 mil para bancar o projeto.
A procura foi pequena no SOS, localizado na Rua Jaguaribe, na Vila Nova (área central), que dispõe de 14 vagas para homens. Apenas uma pessoa procurou pela entidade anteontem. Na opinião da assistente social Marilza Cardoso Yoshinaga, a Operação Noite Fria faz falta principalmente para os moradores de mocós (locais que servem de abrigo para moradores de rua). ‘‘O pessoal da Ação Social os procurava, convidava para ir a alguma instituição ou levava ajuda’’, argumenta.
O Albergue Noturno, na Rua Araguaia (região central), hospedou de terça para quarta-feira 45 pessoas. A procura cresceu nos últimos dias mas a entidade tem capacidade para atender até 74 homens, mulheres e crianças. No albergue, Sociedade Espírita de Promoção Social, as pessos podem jantar, dormir e tomar o café da manhã. Mantida pela a entidade atende homens, mulheres e crianças.
Na tarde de ontem, voluntárias consertavam as roupas usadas doadas ao albergue e que serão repassadas aos hóspedes. ‘‘Nós precisamos de doações de cobertores, roupas masculinas, calçados, meias, cuecas’’, disse Maria Júlia Barros, vice-presidente da instituição. Durante o dia, os frequentadores destas entidades perambulam pelas ruas à procura de trabalho, de parentes ou simplestemente esperando o tempo passar e a noite chegar para voltar ao albergue, ao Bom Samaritano ou ao SOS.
A praça em frente do Terminal Rodoviário de Londrina, no centro, abriga muitas destas pessoas. Paulo Sérgio Vieira, 33 anos, e um amigo que não quis se identificar sentaram em um dos bancos da praça na esperança de que o setor de Serviço Social da prefeitura, instalado no terminal, arrumasse duas passagens de ônibus.
Vieira estava indo de Campo Mourão para Americana (SP), onde tem familiares que possam ajudá-lo a conseguir emprego. Ele passou a noite de terça-feira em um posto de gasolina perto da rodoviária. Ontem, no final da tarde, procuraria o Albergue Noturno. ‘‘O albergue é bom. Tem comida gostosa e cama quentinha pra gente’’, aconselhou o amigo, há três dias em Londrina, que veio de Cascavel e seguiria para Rancharia (SP), cidade onde moram seus irmãos.
Os dois se conheceram na praça, enquanto tomavam sol e dividiam as tristezas da viagem, feita parte a pé ou de ônibus. ‘‘Tá difícil conseguir trabalho por aqui. Ter só até a 4ª série e nada é a mesma coisa’’, reclamou Vieira.
A noite passada também foi difícil para os moradores de um mocó na Avenida Duque de Caxias, no centro de Londrina. A maioria são jovens que vivem nas ruas desde criança e tem contado apenas com ajuda de um grupo de pessoas da comunidade que leva sopa e agasalho. ‘‘A prefeitura só ajuda a gente até os 18 anos. Depois que atingimos a maioridade, contamos só com a nossa sorte’’, reclamou uma moça de 22 anos que não quis se identificar.
O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) informou ontem que o frio continua intenso por alguns dias na região de Londrina. Segundo o meteorologista Fernando Mendonça Mendes, a temperatura pode baixar hoje e amanhã, em Londrina, para até 4 graus com tendência a geadas fracas hoje.
Serviço:
As entidades que atendem sem-teto precisam de doações. Quem puder ajudar deve ligar para Casa do Bom Samaritano (339-1379), SOS (329-1171) e Albergue Noturno (329-0137).

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